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Entre retalhos de vida e costuras de poesia, Kieza Fran transforma suas experiências, ancestralidade e vivências periféricas em versos que abraçam, cortam, comovem e encantam. Com 25 poesias reunidas em formato de bolso, Poesia de Retalho já está disponível à venda no site da editora e chega ao público em edições limitadas. A obra nasce como um gesto de resistência e afirmação de identidade, traduzindo em versos as vivências periféricas, memórias de ancestralidade e utopias possíveis.

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A obra surge da necessidade de ocupar espaços literários ainda pouco acessíveis a escritoras negras periféricas do interior do Ceará. Kieza Fran propõe, com o livro, descentralizar sua escrita e levar sua voz a novos públicos, reforçando a presença de narrativas da periferia do interior do Ceará na cena literária do estado.

“Para esse livro ser feito, sou fruto de muitas mãos. Mas Poesia de Retalho não são retalhos só da minha vida, mas de todo mundo que me deu a chance de continuar viva. É sobre minha ancestralidade e a ânsia de seguir acreditando que minhas correrias me sustentam”, diz a autora.

Entre uma reflexão e outra, a autora nos lembra que Poesia de Retalho é resultado de uma rede de afetos e caminhos compartilhados, em que cada experiência e cada encontro ajudaram a moldar sua escrita.

“Poesia de Retalho não é apenas sobre sobrevivência, é também sobre sonho. Acreditar que a palavra pode nos levar para lugares que nunca pisamos, mas que sempre desejamos alcançar. É sobre costurar um futuro possível a partir das pequenas vitórias do presente. É por Vitória, Caio e Emily, vidas ceifadas que não serão esquecidas. Mas também por Raiana Souza, Virginia Oliveira, Renan Dias e Raisa, que me acolhem continuamente. Cada verso é um pedaço de quem sou, mas também de quem caminhou comigo. É costurar vida, dor e esperança numa só trama. É saber quem trama e quem tá comigo. E eu sei muito bem quem abriu espaço e me trouxe até aqui. Carrego vocês e Sobral inteira comigo. Não escrevo sozinha.”, reforça Kieza Fran.

A poesia que nasce das margens

Até 200 exemplares do livro estão sendo distribuídos gratuitamente em bibliotecas públicas, espaços culturais independentes e eventos literários, priorizando áreas periféricas do Ceará. O lançamento já passou por Sobral — na Biblioteca Comunitária Adalberto Mendes, Casa da Cultura, Barraco Hub e Slam Ceará (SESC Sobral) — e por Fortaleza, na Casa Mercúrio e na Biblioteca Comunitária Livro Livre Curió.

No dia 24 de outubro de 2025, Poesia de Retalho será lançado também no Hostel Dragão do Mar, em Fortaleza. O livro conta ainda com versão em audiolivro e Libras, garantindo acessibilidade e democratização da leitura.

Sobre Kieza Fran

Kieza Fran Nascimento, natural de Sobral (CE), é poeta, atriz e produtora cultural atuante desde 2015. Reconhecida como uma das principais vozes da cena slam no Ceará, é cofundadora do Slam da Quentura, primeira disputa poética do estado e da rede Slam Ceará, que coordenou por seis anos ao lado do Coletivo Fora da Métrica.

Idealizadora do projeto Produção de Perifa, dedica-se à formação de agentes culturais das periferias, promovendo inclusão e fortalecendo trajetórias artísticas. Em 2023, foi contemplada com o Prêmio Pretas Potências, iniciativa do Preta Hub em parceria com o Ministério da Cultura, que reconhece mulheres negras de impacto em diferentes áreas.

Sua produção literária já circulou em diversas coletâneas e publicações, entre elas: A Poesia Falada Invade a Cena em Sobral-CE (2019), obra que também organizou; Rio

Acima – Vozes do Processo de Das Dores 38 (2019); Escritas em Pandemia (2020); Zine Sem Ponto Final (2022) e Revista TAUP (2023). É também uma das organizadoras das antologias Embaixo do Cajueiro, Cerol e Navalha e Às Margens – Poesia que Corta a Cidade, lançadas entre 2022 e 2024, reunindo mais de 60 poetas cearenses.

Em 2025, com o lançamento de Poesia de Retalho, reafirma a importância das políticas públicas culturais no fortalecimento das carreiras de escritoras negras periféricas do interior do Ceará