Nascida e criada no Bairro da Paz, em Salvador, a jornalista Quezia Silva, de 30 anos, viveu na prática um dos princípios que atravessam sua trajetória profissional: contar histórias que muitas vezes não chegam aos grandes espaços da imprensa. Na última terça-feira (15), esse trabalho foi reconhecido com o 2º lugar na categoria Texto do Prêmio Sebrae de Jornalismo.
A premiação aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no bairro do Stiep, em Salvador. Quezia dividiu a conquista com a colega Ane Morais, com quem produziu a reportagem “Empreendedores do Bairro da Paz transformam talento em oportunidade e renda”, inscrita pelo Portal Salvador FM.
A reportagem colocou no centro da narrativa empreendedores do Bairro da Paz, mostrando como talentos desenvolvidos dentro da comunidade também podem se transformar em trabalho, renda e oportunidade. Mais do que falar de negócios, a produção trouxe para o espaço jornalístico histórias de pessoas que constroem alternativas econômicas a partir do próprio território.
Para Quezia, o reconhecimento chega em um momento importante de sua trajetória. Formada em Jornalismo em 2025, ela já passou por veículos como a Tribuna da Bahia, Rádio BandNews FM Salvador e Agência de Notícias das Favelas (ANF). Atualmente, atua no Portal Salvador FM e também no JC Bairro da Paz.
A relação com o território, no entanto, não ficou para trás depois da formação acadêmica. É justamente a vivência como moradora do Bairro da Paz que atravessa parte do olhar da jornalista sobre as pautas que escolhe contar.
Ao longo da formação e da experiência profissional, Quezia passou por diferentes formatos e redações, mas manteve a comunicação como ferramenta para dar visibilidade às histórias que fazem parte do cotidiano das comunidades.
Quando o território vira pauta
A reportagem premiada nasceu desse olhar para quem empreende dentro do Bairro da Paz. Em vez de enxergar a periferia apenas pelas dificuldades, a produção voltou os olhos para pessoas que movimentam a economia local a partir de seus próprios talentos e conhecimentos.
O reconhecimento no Prêmio Sebrae de Jornalismo coloca essas histórias em evidência e também marca a trajetória de uma profissional que conhece o território não apenas como fonte jornalística, mas como parte da própria vida.
Aos 30 anos, Quezia constrói sua carreira entre diferentes espaços da comunicação, levando consigo a experiência de quem saiu do Bairro da Paz para ocupar redações, microfones e espaços de produção jornalística sem deixar de olhar para a comunidade de onde veio.
A conquista ao lado de Ane Morais representa, assim, não apenas um prêmio pelo texto produzido, mas também o reconhecimento de uma forma de fazer jornalismo que encontra nas histórias do cotidiano, nos trabalhadores e nos empreendedores dos territórios matéria-prima para contar outras narrativas sobre Salvador.
E, dessa vez, a história de quem conta também virou notícia.














