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A greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro tem impactado diretamente a rotina de milhares de trabalhadores que dependem do transporte público para se deslocar até o emprego. Com a redução da frota nas ruas, muitos enfrentaram longas esperas nos pontos de ônibus, superlotação em outros modais e, em alguns casos, precisaram faltar ao trabalho, perdendo também parte da renda.

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A paralisação, iniciada na segunda-feira (29), foi aprovada em assembleia da categoria, que reivindica reajuste salarial e melhores condições de trabalho. A Justiça do Trabalho determinou que pelo menos 50% da frota permaneça em circulação nos horários de pico, mas passageiros relatam dificuldades para encontrar ônibus em diferentes regiões da cidade.

No Caju, na Zona Norte do Rio, a diarista Zélia de Paula saiu de casa às 7h para trabalhar no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. Ela permaneceu no ponto até 8h30, mas nenhum ônibus passou. Sem conseguir chegar ao trabalho, precisou avisar a patroa de que não compareceria.

“Fiquei esperando, esperando e nada. Não apareceu nenhum ônibus. Tive que avisar que não ia conseguir ir.”

Como trabalha por diária, a ausência significou também perda de renda. “Sou diarista. Se eu não vou trabalhar, eu não recebo.”

Outra moradora do Caju, que trabalha no Catete, só conseguiu cumprir a jornada porque o patrão pagou uma corrida de moto por aplicativo. Segundo ela, sem essa alternativa, também teria perdido o dia de trabalho.

Na Zona Norte, a técnica de enfermagem Daniele Martins, moradora da Penha e funcionária do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), enfrentou outro cenário. Ela utiliza diariamente o BRT para chegar ao trabalho e relata que a paralisação provocou um aumento expressivo no número de passageiros.

Segundo Daniele, o embarque foi marcado por filas extensas, veículos lotados e muita confusão.

“Estava muito cheio. As filas eram enormes e houve muita confusão para embarcar. Foi horrível, muito tumultuado.”

Com parte da frota de ônibus fora de circulação, passageiros recorreram ao BRT, ao metrô, aos trens e aos aplicativos de transporte, provocando aumento da demanda nesses serviços.

A greve foi deflagrada após a categoria rejeitar a proposta apresentada pelas empresas de ônibus. Os rodoviários reivindicam reajuste salarial, aumento do vale-alimentação, melhores condições de trabalho, manutenção de benefícios e mudanças na jornada.

Entre os pedidos estão um piso salarial de aproximadamente R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para motoristas de veículos articulados e do BRT, além de vale-alimentação de R$ 1 mil.

As empresas ofereceram reajuste de cerca de 4,39%, índice equivalente à inflação, além de aumento salarial inferior ao reivindicado pela categoria. A proposta foi rejeitada durante assembleia.

Enquanto não há acordo entre empresários e trabalhadores, quem depende do transporte coletivo segue enfrentando incertezas para chegar ao trabalho.

Para moradores das periferias, que muitas vezes percorrem longas distâncias diariamente e possuem poucas alternativas de deslocamento, a paralisação representa mais do que um transtorno. Ela pode significar atraso, perda de renda e até a impossibilidade de cumprir a jornada de trabalho.