A preservação da memória dos territórios tradicionais ganha um novo registro audiovisual com o lançamento do documentário “Inventário da Pedra Bonita”, que acontece neste sábado (28), às 15h, na Praia de Itapuama, no município do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. A produção reúne relatos de moradores, registros históricos, fotografias, documentos e imagens que ajudam a reconstruir a trajetória cultural, social e ambiental de uma das comunidades mais tradicionais do litoral pernambucano.
Mais do que apresentar paisagens naturais, o filme evidencia a importância da memória coletiva construída por pescadores, artesãos, comerciantes, artistas, agentes culturais e surfistas que contribuíram para formar a identidade de Itapuama, território conhecido por sua forte relação com a pesca artesanal, os saberes populares e a preservação ambiental.
O documentário também recupera parte da história dos povos indígenas Caetés, que habitavam a região entre a Ilha de Itamaracá, o Cabo de Santo Agostinho e a foz do Rio São Francisco antes da colonização portuguesa. A produção relembra aspectos da cultura indígena ainda presentes no território, como os conhecimentos sobre plantas medicinais, o cultivo tradicional, a relação espiritual com a natureza e as práticas ligadas às águas e às matas.
Além de destacar a origem do nome Itapuama, que significa “Pedra Bonita” em tupi-guarani, o filme aborda o processo de extermínio da população Caeté durante o período colonial e reflete sobre os impactos históricos que moldaram a ocupação do litoral pernambucano.

Cultura popular e memória das comunidades
Entre os elementos culturais retratados estão manifestações que marcaram diferentes gerações da comunidade, como os tradicionais Forrós de Ailton, Marrudo e Vado, a Festa da Lavadeira, a Festa da Cacimba, o Boi Praieiro e outras celebrações populares que fizeram de Itapuama um importante destino turístico e cultural ao longo das últimas décadas.
Outro destaque é o conhecido Banho de Argila, localizado na Estrada Velha de Itapuama. Utilizada tanto para produção de cerâmica quanto para fins terapêuticos, a argila tornou-se símbolo da região e ganhou reconhecimento internacional após servir de cenário para o videoclipe da música Maracatu Atômico, interpretada por Chico Science & Nação Zumbi.
A produção também contextualiza as mudanças provocadas pelo crescimento urbano e pela expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape, discutindo as transformações sociais e territoriais vividas pela comunidade ao longo dos últimos cinquenta anos.
Acesso à cultura e preservação do patrimônio
Pensando na democratização do acesso, o documentário contará com recurso de audiodescrição, ampliando a acessibilidade para pessoas com deficiência visual e outros públicos. Após a estreia, estão previstas exibições gratuitas e itinerantes em comunidades do litoral do Cabo de Santo Agostinho, além da disponibilização da obra em plataformas digitais.
Todo o material produzido durante a pesquisa será compartilhado com entrevistados e colaboradores, fortalecendo a preservação da memória coletiva e incentivando novas iniciativas de valorização do patrimônio histórico e cultural da região.
O projeto foi contemplado pelos editais da Lei Paulo Gustavo e recebeu apoio financeiro da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, por meio dos recursos destinados pelo Ministério da Cultura.
Para comunidades tradicionais, periferias e territórios populares, iniciativas como “Inventário da Pedra Bonita” demonstram como o audiovisual pode se tornar uma ferramenta de resistência, valorização dos saberes ancestrais e fortalecimento da identidade local, garantindo que histórias construídas pelos próprios moradores permaneçam vivas para as futuras gerações.














