
O bairro do Barro, na Zona Oeste do Recife, recebe neste sábado (7), das 14h30 às 22h, o evento “Ebó: Tradições e Resistência”. A programação será realizada no Ilê Dùn – Culinária e Espaço Cultural Diaspórico, com entrada gratuita, e reúne atividades culturais, gastronomia, poesia, música, artes visuais e empreendedorismo de mulheres negras.
A iniciativa busca valorizar os saberes ancestrais e promover o encontro entre diferentes manifestações da cultura afro-diaspórica. Entre as atividades estão contação de histórias para crianças, performance artística, batalha de poesia falada, microfone aberto, apresentações musicais e pintura ao vivo. Durante todo o evento, também haverá uma feira de mulheres pretas e empreendedoras locais.
Criado pelas produtoras culturais pernambucanas Priscila Ferraz e Tayná Passos, o projeto teve início com atividades formativas gratuitas realizadas em abril e maio de 2026, no próprio Ilê Dùn. Foram oferecidas três oficinas: “Saberes do Milho Branco: Do Sagrado à Mesa”, com Esmeraldina Pereira, conhecida como Iyá Dindinha D’Osún; “Estamparia Botânica”, com Patrícia Maré; e “Costurando Histórias: Artesania Sustentável”, com Giselle Silva.
Segundo Priscila Ferraz, a proposta é aproximar diferentes linguagens artísticas dos conhecimentos tradicionais e fortalecer a transmissão desses saberes entre gerações.
“Ebó é um convite à partilha, aprendendo, reconhecendo as raízes e celebrando a riqueza das tradições presentes nos territórios. A gente está juntando diferentes linguagens artísticas a processos de compartilhamento de saberes tradicionais”, afirma.
A programação começa às 14h30, com contação de histórias para crianças, conduzida por Kimberly Fraga. Às 16h, será apresentada a performance “Òná Ijó – A Dança das Encruzilhadas”, de Falik. Em seguida, às 16h20, acontece o Slam das Minas PE, batalha de poesia falada protagonizada por mulheres cis e trans, além de um espaço de microfone aberto ao público.
As apresentações musicais começam às 18h30, com o Coco do Rosário, de Jaboatão dos Guararapes. Às 20h, será a vez da cantora e sambista Maria Pagodinho. O encerramento fica por conta da cantora, compositora e percussionista Poli, acompanhada de sua banda, às 22h.
Para Tayná Passos, o encontro reúne as experiências desenvolvidas ao longo do projeto e reforça a cultura como espaço de convivência e resistência. “É um espaço de encontro, partilha e resistência, onde a cultura é vivenciada coletivamente e os conhecimentos continuam circulando por diversas gerações”, destaca.
Feira fortalece o empreendedorismo de mulheres negras
A feira de empreendedoras reúne quatro iniciativas lideradas por mulheres e voltadas à economia criativa. Participam a Negra Rosa, representada por Marta Soares Gomes de Almeida, com produtos de beleza e autocuidado para peles negras e cabelos crespos e cacheados; a Pry Art Crochê, com peças artesanais e amigurumis; a Maria Livreira, livraria independente dedicada à literatura étnico-racial infantojuvenil; e a Annigastyle, com joias autorais.
A atividade dá continuidade à proposta das oficinas realizadas na primeira etapa do projeto, que buscaram incentivar a troca de conhecimentos, a produção artesanal e a autonomia econômica das participantes.
De acordo com Patrícia Maré, uma das oficineiras, a feira também cria oportunidades de comercialização e fortalecimento de pequenos negócios. “Fortalecer o empreendedorismo das mulheres é ampliar suas redes, sua autonomia e a economia dos territórios”, afirma.
O projeto “Ebó: Tradições e Resistência” conta com incentivo do Sistema de Incentivo à Cultura do Município do Recife (SIC), por meio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC).













