Foto:´Mário Edson
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O Centro Histórico de Salvador será palco de uma celebração à memória e à potência das artes cênicas baianas nesta quarta-feira (17), com o lançamento gratuito da mostra ‘CENAS’ (2026). A exposição, assinada pelo fotógrafo Mário Edson, tem vernissage marcada para às 19h30, no ME Ateliê da Fotografia, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, reunindo registros históricos de espetáculos que marcaram o teatro da Bahia e do Brasil.

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A iniciativa reforça o acesso democrático à cultura e valoriza uma linguagem artística que, historicamente, dialoga com as periferias e favelas, seja pela origem de seus artistas, seja pelos temas sociais abordados nos palcos. Em Salvador, o teatro sempre foi espaço de denúncia, memória e afirmação de identidades negras e populares.

Durante a mostra, o público poderá conferir uma seleção inédita de imagens que percorrem mais de 36 encenações acompanhadas por Mário Edson ao longo de duas décadas de carreira. Além da exposição fotográfica, a noite também marca o lançamento do tradicional calendário CENAS (2026), já consolidado como símbolo cultural de fim de ano no Centro Antigo da capital baiana.

Com curadoria do fotógrafo e escritor Marcos Cesário, o calendário reúne 16 fotografias autorais, enquanto a exposição apresenta outros 20 registros que evidenciam figurinos, jogos de luz, cenografia e expressões corporais que marcaram a história recente do teatro na Bahia. Entre os espetáculos retratados estão As Velhas, Tom na Fazenda, Pássaros de Copacabana, Das “Coisa” da Vida, Bispo, O Galo e Surf no Caos, obras que também ecoam narrativas sociais vividas nas periferias e favelas.

O calendário de 2026 se soma ainda às comemorações pelos 70 anos da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e aos 20 anos do grupo Teatro NU, fundado pelo dramaturgo Gil Vicente Tavares, referência na cena teatral baiana.

Segundo Mário Edson, o projeto reúne não apenas técnica, mas uma escuta sensível construída ao longo dos anos. “O conjunto de imagens desta edição reúne registros feitos ao longo de anos dedicados ao teatro, acompanhando peças encenadas na Bahia, em diversas capitais do Brasil e também no exterior. Cada fotografia nasce dessa mistura de técnica, paixão e da escuta atenta diante da força expressiva dos palcos”, afirma o fotógrafo.

Ao ocupar o Centro Histórico com uma mostra gratuita, o projeto reafirma a arte como ferramenta de memória, resistência e diálogo entre o centro e as periferias, fortalecendo a circulação cultural e o reconhecimento do teatro como expressão viva das lutas e afetos do povo.