
Apurações tratam do financiamento de filme, suspeitas envolvendo apostas e possível calúnia; aliados afirmam que senador deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, relações financeiras com o advogado Willer Tomaz e uma publicação sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Derrotado na disputa presidencial, ele deixará o Senado em 31 de janeiro de 2027, mas o encerramento do mandato não interrompe automaticamente as apurações.
Nesta terça-feira (27), aliados passaram a afirmar que o parlamentar deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, após uma determinação judicial que proibiu sua saída do país. A informação acrescenta um novo episódio à situação judicial do senador, embora as circunstâncias da viagem ainda precisem ser esclarecidas.
Financiamento do filme sobre Bolsonaro
Uma das investigações trata dos recursos destinados a “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O caso está sob a relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um relatório da Polícia Federal aponta indícios de participação de Flávio na negociação e na cobrança de aportes atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A apuração busca esclarecer possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção e à movimentação dos recursos. Flávio nega irregularidades e sustenta que o filme foi financiado com dinheiro privado.
Suspeitas envolvendo apostas
Outra frente investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e vínculos financeiros entre Flávio e o advogado Willer Tomaz. A relatoria é do ministro Alexandre de Moraes.
Entre os elementos examinados estão viagens e a identificação de Flávio como usuário com poderes de movimentação em uma conta empresarial da Alcazar Holdings, ligada ao advogado. Os investigadores também buscam esclarecer uma possível participação oculta do senador em um negócio de apostas.
Flávio e Tomaz negam irregularidades e afirmam manter relações legítimas. Os vínculos examinados não representam, por si só, comprovação de crime.
Publicação sobre Lula
Há ainda uma investigação sobre possível calúnia contra Lula em uma publicação feita nas redes sociais, em janeiro. O procedimento examina se Flávio atribuiu falsamente ao presidente a prática de crime. O senador apresentou esclarecimentos por escrito.
Relatos de saída do país
Aliados de Flávio Bolsonaro afirmaram nesta terça-feira (27) que o senador deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, acompanhado da família. A saída relatada ocorreu após a determinação de Alexandre de Moraes que proibiu o parlamentar de deixar o país. A rota utilizada ainda não foi esclarecida.
O senador também não entregou seus passaportes dentro do prazo estabelecido pela Justiça. Os documentos foram posteriormente cancelados, segundo fontes a par do caso. Flávio havia afirmado que cumpriria a determinação e negado intenção de fugir.Na segunda-feira (26), Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio e proibiu sua saída do Brasil, além de impedir contato com Willer Tomaz. O senador afirmou que cumpriria a determinação e negou intenção de fugir.
O que acontece após o mandato
O chamado foro privilegiado define qual tribunal analisa determinados casos envolvendo autoridades. Para senadores, o STF é competente para julgar crimes cometidos durante o mandato e relacionados às funções parlamentares. A regra não impede investigações nem determina seu arquivamento.
Desde março de 2025, essa competência permanece mesmo depois da saída do cargo, desde que os fatos tenham ocorrido no exercício da função e em razão dela. Portanto, cada investigação dependerá da análise de sua ligação com a atividade parlamentar: os casos que preencham esses critérios poderão continuar no Supremo; os demais poderão seguir para o juízo competente.













