Salvador será palco, entre os dias 24 e 26 de julho, da 10ª edição do Encontro Internacional de Mulheres Negras Urbanas e Quilombolas (EIMNUQ). O evento reunirá lideranças comunitárias, ativistas e pesquisadoras do Brasil e de países africanos para discutir equidade racial, defesa dos territórios tradicionais, combate ao racismo estrutural e fortalecimento das políticas públicas voltadas às populações negras.
Com o tema “Refletindo Lutas e Conquistas de uma Década”, a edição comemorativa celebra os dez anos da iniciativa e propõe uma avaliação dos avanços conquistados pelo movimento, além da construção de estratégias para ampliar a incidência política de mulheres negras urbanas e quilombolas nos próximos anos.
A programação contará com representantes de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, além de lideranças de comunidades quilombolas brasileiras, como Tijuco, Palmares, Jequitibá, Flores, Mulungu, Serra Grande, Rocinha, Nuguaçu, Barriguda e Corcovado.
Durante os três dias de atividades, serão debatidos temas como regularização fundiária, igualdade de gênero, preservação ambiental, valorização da ancestralidade, impactos do colonialismo, defesa dos territórios tradicionais e políticas de reparação histórica. O encontro também promoverá rodas de conversa, oficinas, palestras, apresentações culturais e momentos de partilha e espiritualidade, organizados em eixos que dialogam com memória, resistência, território e futuro.
A sustentabilidade também integra a programação. As participantes receberão kits produzidos com materiais reciclados e itens artesanais confeccionados por comunidades quilombolas, iniciativa que busca fortalecer a economia solidária e valorizar os saberes tradicionais.
Marcha das Mulheres Negras integra programação
Um dos momentos centrais do encontro será a Marcha das Mulheres Negras, marcada para o dia 25 de julho, às 8h, com concentração na Praça da Piedade, em Salvador. A mobilização faz parte do Julho das Pretas, agenda nacional que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela.
A marcha reforça a luta contra o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais, além de dar visibilidade às pautas das mulheres negras das cidades, das comunidades quilombolas e das periferias.
Realizado desde 2017, o EIMNUQ reúne organizações da sociedade civil, pesquisadoras e lideranças comunitárias para fortalecer o diálogo e a construção de propostas voltadas à promoção da igualdade racial e de gênero. A edição de 2026 é coordenada por Ligia Margarida Gomes, presidenta da Associação Protetora dos Desvalidos (SPD), em parceria com o Instituto Renascer Mulher e a Rota dos Quilombos, com apoio institucional da Fundação Rosa Luxemburgo e do Instituto Ibirapitanga.
Segundo a organização, após a edição deste ano, o encontro fará uma pausa em 2027 para revisão metodológica e fortalecimento institucional, com o objetivo de ampliar sua atuação e consolidar novas estratégias para as próximas edições.














