Iniciativas que buscam capacitar moradores de favelas do Rio de Janeiro para lidar com os impactos do calor extremo têm ganhado espaço diante do aumento das temperaturas na cidade. Projetos como o realizado nas comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira apostam na participação direta da população local para mapear o desconforto térmico dentro das residências e pensar soluções a partir da realidade do território.
A ação envolve a coleta de dados sobre temperatura, umidade e rotina dos moradores durante o verão, além da instalação de equipamentos de medição em algumas casas. A proposta é compreender como o calor afeta a saúde e o cotidiano das famílias e, a partir disso, contribuir para a construção de políticas públicas mais eficazes no enfrentamento das mudanças climáticas.
Apesar da importância da iniciativa, o cenário vivido em outras comunidades do Rio revela que o desafio vai além do monitoramento. Em muitas favelas, moradores seguem enfrentando o calor extremo sem acesso regular a água, item básico para a sobrevivência e para aliviar os efeitos das altas temperaturas. A falta de abastecimento, somada a moradias precárias e pouca ventilação, torna a onda de calor ainda mais severa nesses territórios.
Enquanto alguns projetos avançam de forma pontual, milhares de famílias continuam lidando diariamente com a ausência de serviços essenciais. O contraste evidencia a necessidade de ampliar essas ações e transformá-las em políticas públicas contínuas, que alcancem todas as comunidades — especialmente aquelas onde enfrentar o calor ainda significa escolher entre suportar temperaturas extremas ou conviver com a escassez de água.














