Foto: Reprodução
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O mar de Pernambuco, mais uma vez, amanheceu com sinais de alerta. Moradores e banhistas da Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, se depararam no último domingo (20) com pedaços escuros e pegajosos na areia e na água, com cheiro forte de óleo. O cenário trouxe de volta o medo do que foi o maior desastre ambiental do Brasil, em 2019, quando toneladas de petróleo cru atingiram as praias do Nordeste e afetaram diretamente a vida de comunidades ribeirinhas, pescadores artesanais e famílias das favelas do litoral.

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Segundo relatos do fotógrafo Fernando Júnior, que fazia um ensaio na praia, era “muito óleo mesmo”. Os fragmentos de piche (uma substância derivada do petróleo) estavam tanto na areia quanto dentro do mar. Após o aviso aos guarda-vidas, uma equipe da Reserva do Paiva iniciou a limpeza emergencial da área.

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) confirmou a presença do material e informou que já iniciou a coleta para análise. A suspeita é de que os resíduos sejam resultado de lavagem ilegal de tanques de navios, prática criminosa que afeta o litoral nordestino com frequência.

A CPRH, junto ao Ibama e à Marinha, realiza investigações para identificar a origem do óleo, que pode levar até 30 dias para ser confirmada. Por enquanto, os técnicos descartam um derramamento em grande escala como o de 2019, mas alertam para a necessidade de monitoramento constante.

No mês de junho, kits de limpeza foram distribuídos para municípios do Litoral Norte. Em agosto, será a vez dos municípios do Litoral Sul — como o Cabo de Santo Agostinho — receberem equipamentos para conter e recolher o óleo caso novos focos apareçam.

Quem vive da pesca, do turismo informal e das atividades ligadas ao mar sabe bem o peso desse tipo de contaminação. Famílias que vivem nas comunidades costeiras são as primeiras a sentir os impactos: peixes e mariscos somem, a água deixa de ser segura para o banho, e a economia local — que já é frágil — desaba.

Além disso, os mutirões de limpeza costumam cair no colo da população, que, sem apoio oficial, se organiza para recolher os resíduos com as próprias mãos, muitas vezes sem proteção adequada. São essas comunidades que, mais uma vez, precisarão se mobilizar para proteger seu território.

 Relembre: o que aconteceu em 2019?

Naquele ano, mais de 1.500 toneladas de óleo atingiram as praias de Pernambuco, num desastre ambiental que deixou marcas profundas no litoral do Nordeste. Investigações apontaram que o material veio de um navio petroleiro de origem estrangeira. Até hoje, muitas comunidades ainda enfrentam os efeitos do vazamento, com prejuízos à saúde, ao meio ambiente e à economia local.

A força está na mobilização popular

Se por um lado o Estado ainda engatinha nas respostas, por outro, as comunidades têm mostrado força, solidariedade e organização. Grupos de pescadores, coletivos ambientais, escolas populares e associações de bairro têm atuado em rede para denunciar, monitorar e agir diante da ameaça do óleo.

A informação é nossa maior aliada. É preciso espalhar o alerta, pressionar por respostas e exigir políticas públicas que protejam o povo e o território. Não é só a praia que está em risco — é o modo de vida de milhares de famílias que vivem nas bordas da cidade e do mar.

O que fazer se você encontrar óleo na sua praia:

  • Não toque no material com as mãos desprotegidas;
  • Alerte imediatamente a prefeitura ou órgãos ambientais;
  • Registre imagens para ajudar na denúncia;
  • Compartilhe a informação com sua rede e grupos comunitários;

Organize, se possível, mutirões com uso de luvas, pás e baldes adequados.