A literatura infantil afro-brasileira ganha novo fôlego vindo direto da Fazenda Grande do Retiro, uma das grandes comunidades de Salvador. A escritora Helena Nascimento, moradora da favela, lança seu novo livro “Quixote, o ‘quirubim’ do Sertão”, no dia 06 de dezembro de 2025, às 15h, na Livraria LDM do Shopping Bela Vista. A obra é publicada pela Editora Malê e ilustrada por Quezia Silveira.
O livro nasce do verbo esperançar, trazendo a força da resiliência das crianças negras diante do racismo estrutural que atravessa as periferias e favelas do Brasil. A narrativa transita pelo indizível, pelo fantástico e pelo sagrado como espaços de acolhimento e potência para a infância negra.
A ancestralidade aparece como guia — aquela que “denga e fortalece” — enquanto a figura de Quixote incorpora a identidade do sertão, costurada pela linguagem do cordel e por elementos da cultura popular, transformando a experiência coletiva em lirismo e musicalidade.
Helena explica que sua escrita é um compromisso político com as infâncias negras das periferias: cada obra nasce de um fio contínuo de memória, resistência e afeto. Seu processo criativo segue quatro pilares: representatividade negra na infância, valorização da cultura popular, enfrentamento ao machismo, ao racismo e à intolerância religiosa, e a celebração da diversidade cultural baiana.

A trajetória da autora é marcada pelo impacto comunitário. Desde 2016, ela conduz o Baobá de Histórias, projeto que se tornou referência ao levar narrativas afro-diaspóricas e afro-referenciadas para escolas públicas, fortalecendo a autoestima de crianças negras nas periferias e enfrentando o racismo por meio da palavra e da imaginação. Hoje, o projeto conta com financiamento e segue alcançando comunidades com ações de contação de histórias.
Com “Quixote, o ‘quirubim’ do Sertão”, Helena amplia seu gesto político, artístico e afetivo em defesa da infância negra das favelas e periferias. O novo título se soma às obras A flor do dendê e as filhas de Iansã (2020) e Alice e o enigma do Ouruvaia (2023), consolidando uma produção que se ancora na memória, na espiritualidade e no compromisso com narrativas que acolhem, fortalecem e representam














