Foto: Miriane Figueira
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Salvador recebe, entre os dias 17 e 19 de julho, a temporada do espetáculo infantil “Da Janela”, obra cênica que coloca a acessibilidade no centro da narrativa e transforma recursos de inclusão em linguagem artística. Com apresentações no Teatro Sesc Casa do Comércio, a montagem reúne teatro, imaginação e diferentes formas de comunicação em uma experiência pensada para crianças e adultos, com e sem deficiência.

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Concebido pelo diretor teatral Marco dos Anjos, o espetáculo conta a história de amizade entre três crianças, Malu, Nina e Cadu, que se conhecem pelas janelas de suas casas e passam a se comunicar à distância. Aos poucos, a convivência entre eles se aprofunda e revela que a linguagem pode ir muito além das palavras, abrindo espaço para o afeto, a escuta e a descoberta das diferenças.

Com classificação livre e duração de 50 minutos, “Da Janela” será apresentado na sexta-feira (17), às 15h, no sábado (18), às 16h, e no domingo (19), às 11h. Os ingressos já estão à venda, com valores de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Acessibilidade como parte da cena

Apresentado pela BB Seguros, o espetáculo propõe uma experiência de Teatro Infantil Acessível, em que a acessibilidade não aparece como um recurso externo, mas como parte orgânica da dramaturgia. Narração das cenas, tradução em Libras e outras estratégias assistivas são incorporadas ao brincar e à encenação, criando um ambiente em que diferentes formas de expressão se tornam naturais e encantadoras para o público.

Na trama, a personagem Malu, interpretada por Luize Mendes Dias, observa a vizinhança por um binóculo e descreve o que vê, ajudando o público a acompanhar a ação. Já Nina, vivida pela atriz surda Mariana Siciliano, apresenta outras possibilidades de comunicação, ensinando ao personagem Cadu, interpretado por Alain Catein, que a conexão entre as pessoas também pode acontecer sem o uso da fala.

A atriz e intérprete de Libras Thamires Ferreira também integra a cena no papel da síndica da vizinhança, comentando em Libras o que acontece no palco e convidando a plateia a participar da experiência. Durante a apresentação, o público é estimulado a se autodescrever e a aprender, em Libras, a frase “Você quer ser meu amigo?”.

Além da linguagem acessível presente em toda a montagem, o espetáculo disponibiliza fones abafadores para pessoas com sensibilidade auditiva, monitores especializados e estrutura de acesso para pessoas com mobilidade reduzida e usuários de cadeira de rodas.

Foto; Miriane Figueira

Pesquisa sobre inclusão e linguagem

A proposta de “Da Janela” nasceu do desejo do diretor Marco dos Anjos de investigar como os recursos de acessibilidade poderiam estar integrados à própria encenação. Em vez de funcionarem como um complemento separado do espetáculo, esses elementos passaram a compor a dramaturgia desde o início do processo criativo.

“Eu quis experimentar os recursos de acessibilidade desde o primeiro ensaio. O desafio era estar organicamente na dramaturgia. Ser acessível sem recursos extras e de forma divertida”, afirma Marco dos Anjos.

Para construir essa linguagem, o processo contou com a consultoria de Vanessa Bruna, da Incluir pela Arte, e de Christofer Allex, consultor de Libras, além da participação de profissionais com deficiência no elenco e na criação. O resultado é uma montagem pensada para romper barreiras linguísticas e garantir que crianças com deficiência visual ou auditiva também possam viver plenamente a experiência teatral.

Circulação nacional e passagem por Salvador

Desde a estreia, em julho de 2024, no Rio de Janeiro, “Da Janela” vem ampliando sua circulação pelo país. O espetáculo já passou por 35 cidades brasileiras e soma mais de 14 mil espectadores. Ao longo dessa trajetória, participou de teatros e festivais, incluindo a Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis, onde recebeu indicação ao prêmio de Melhor Espetáculo Infantil.

Em 2025, a peça ganhou novas circulações nacionais, passando por cidades como Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, com patrocínio da BB Seguros. No mesmo ano, integrou a programação do Palco Giratório, do Sesc Nacional, percorrendo 29 cidades brasileiras.

Agora, em 2026, a circulação continua por outras capitais do país. Depois de apresentações em Curitiba e Florianópolis, o espetáculo desembarca em Salvador e seguirá também para Belém e São Luís.

Segundo a gerente de Marketing Institucional e Mercadológico da Brasilseg, Luciana Garrone, apoiar a montagem é também fortalecer o acesso à cultura. “Mais do que um espetáculo, a peça representa uma experiência transformadora ao integrar a acessibilidade à própria narrativa de forma sensível, acolhedora e genuína”, afirma.

O espetáculo também pode ser acompanhado pelo Instagram @espetaculodajanela.