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Debate no Rio reúne propostas de apoio aos negócios locais e defende participação dos moradores nas decisões sobre os territórios

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As favelas movimentam a economia por meio do comércio, dos serviços e da produção cultural, mas seus empreendedores ainda enfrentam dificuldades para acessar investimentos e ampliar seus negócios. Essas barreiras, junto às demandas por infraestrutura, mobilidade e participação nas decisões públicas, estiveram no centro da terceira edição do Fórum Extra Favelas, realizada na terça-feira (3), no Rio de Janeiro.

O encontro discutiu condições para que o trabalho e as iniciativas existentes nos territórios se traduzam em mais renda e qualidade de vida. O acesso ao mercado, ao financiamento e à formação esteve entre as necessidades apontadas para quem busca estruturar ou manter um empreendimento nas comunidades.

Oportunidades para os negócios que já existem

Cléo Santana, CEO do Data Favela e sócia-diretora da Escola de Negócios da Favela, destacou que empreendimentos com potencial encontram dificuldades para continuar funcionando por falta de recursos. Em entrevista ao Notícia Preta durante o evento, ela defendeu oportunidades de comercialização e conexão, investimento financeiro e capacitação adequada à etapa de cada negócio.

A diversidade dos territórios também exige diferentes formas de apoio. Carla Panisset, gerente de Empreendedorismo Social do Sebrae Rio, defendeu estratégias que considerem as características de cada favela e articulem políticas públicas, instituições de crédito e organizações de apoio.

Entre as propostas apresentadas pelo presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (PSD), estão mapear bares e restaurantes das comunidades, orientar seus proprietários sobre regularização e ampliar a divulgação da gastronomia local. Ele também defendeu a expansão do Recicla Comunidade, iniciativa em que moradores entregam materiais recicláveis e recebem créditos para compras no comércio local. As sugestões dependem de articulação e recursos para avançar.

Infraestrutura também faz parte da geração de renda

As condições para trabalhar e empreender passam também pelo acesso aos serviços urbanos. Caiado relacionou o fortalecimento dos pequenos negócios às diretrizes de urbanização e regularização fundiária previstas no capítulo dedicado às favelas no Plano Diretor.

No debate sobre mobilidade, Clarisse Cunha Linke, diretora-executiva do ITDP Brasil, destacou como os deslocamentos afetam o acesso ao trabalho e à educação. A especialista citou o tempo gasto pelas mães no transporte e a segurança das crianças no caminho para a escola como prioridades para os investimentos públicos.

Moradores no centro das decisões

A participação de quem vive nas favelas foi defendida como parte da construção dessas políticas. Raull Santiago, diretor-presidente do Instituto Papo Reto e cofundador da Iniciativa Pipa, reivindicou espaços permanentes de escuta e decisão, reconhecendo a organização e o conhecimento produzidos nas comunidades.

“A favela não precisa ser integrada à cidade, porque ela já é a cidade”, afirmou. A vereadora Tainá de Paula (PT) também defendeu maior protagonismo dos moradores e recursos para organizações locais desenvolverem iniciativas nos próprios territórios.