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Pernambuco confirmou a sétima morte por dengue em 2026 e contabilizou 52.909 notificações da doença entre 4 de janeiro e 24 de outubro. O número representa um aumento de 31,2% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Boletim Epidemiológico de Arboviroses nº 42, da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Os dados reforçam a importância das medidas de prevenção, especialmente em territórios onde a falta de abastecimento regular de água obriga os moradores a armazenar o recurso em casa.

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A vítima mais recente era um homem de 19 anos, morador do Recife, que morreu em 20 de agosto. Do total de notificações registradas no estado, 12.913 casos foram confirmados, sendo 731 classificados como graves.

Falta de água aumenta os desafios da prevenção

Nas periferias, a interrupção ou irregularidade no abastecimento de água faz com que muitas famílias precisem guardar água em baldes, tonéis, caixas-d’água e outros recipientes para garantir as necessidades básicas do dia a dia. Quando esses reservatórios ficam destampados ou sem proteção adequada, podem se transformar em criadouros do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da zika.

A situação evidencia um desafio que vai além dos cuidados individuais: prevenir a doença também depende de condições adequadas de saneamento e abastecimento. A população que precisa armazenar água para cozinhar, limpar a casa e realizar a higiene pessoal enfrenta dificuldades adicionais para manter os recipientes protegidos e evitar a proliferação do mosquito.

A própria Secretaria Estadual de Saúde alerta para a necessidade de atenção aos reservatórios domésticos. A orientação é manter caixas-d’água, tonéis e outros recipientes sempre bem fechados, além de realizar a limpeza regular. O Ministério da Saúde também recomenda verificar semanalmente os locais que podem acumular água e eliminar possíveis focos do mosquito.

Moradora do Alto Santa Isabel, Laura Pergentino da Silva mantém os cuidados para prevenir a proliferação do mosquito da dengue. Em sua família numerosa, apenas uma irmã teve chikungunya, há alguns anos. “Aqui em casa, temos caixa d’água e outros recipientes para armazenar água, que procuro manter sempre limpos e fechados. Periodicamente, recebemos a visita da agente de saúde, que verifica os recipientes e faz o tratamento da água”, relata.

Municípios com alta incidência

De acordo com o boletim estadual, 43 municípios pernambucanos apresentam alta incidência de dengue. Outros 51 estão na faixa de incidência média, enquanto 88 registram baixa incidência.

Entre os municípios pernambucanos com maior número de casos prováveis de dengue estão Recife, com 3.660 registros, e Jaboatão dos Guararapes, com 3.227. Também aparecem Petrolândia, com 1.247 casos, Paulista, com 1.106, e Cabo de Santo Agostinho, com 952. Os números reforçam a presença da doença em diferentes regiões do estado. 

Além da dengue, Pernambuco contabilizou 7.610 notificações de chikungunya, com 435 casos confirmados. Em relação à zika, foram registradas 1.407 notificações, sem confirmações até o período analisado.

Com 3.660 casos prováveis de dengue registrados entre janeiro e outubro de 2026, o Recife é o município pernambucano com maior número de ocorrências da doença. Um levantamento realizado pela Prefeitura no início do ano identificou índice muito alto de infestação do mosquito Aedes aegypti em Brasília Teimosa, Ibura, Cohab e Vasco da Gama. Nas periferias, onde a irregularidade no fornecimento de água leva famílias a guardar o recurso em reservatórios, a prevenção também depende de condições adequadas de abastecimento e de ações contínuas de combate aos focos do mosquito. 

A cozinheira Maurilene Gregorio morou durante alguns anos no Vasco da Gama, na Zona Norte do Recife, onde enfrentava dificuldades com o abastecimento de água e precisava armazená-la com frequência. Na época, ela e os três filhos tiveram dengue e chikungunya. “De todos aqui em casa, só meu esposo não teve nenhuma dessas doenças”, conta. Atualmente, morando em outro local, Mauri utiliza apenas uma caixa-d’água, que mantém limpa e bem fechada. 

Prevenção precisa considerar a realidade das comunidades

A prevenção exige cuidados dentro das residências, mas também ações do poder público para garantir o abastecimento de água, o saneamento e a vigilância ambiental nos territórios. A irregularidade no fornecimento não deve deixar as famílias diante da escolha entre armazenar água para as necessidades básicas e enfrentar o risco de proliferação do mosquito.

Entre as medidas recomendadas estão manter os reservatórios bem tampados, lavar os recipientes regularmente, verificar quintais e áreas comuns e evitar o acúmulo de água em objetos descartados. A atuação dos agentes de combate às endemias e as ações de prevenção nos bairros também são importantes para identificar e eliminar criadouros.

Com o aumento das notificações e a confirmação de mais uma morte, o cenário reforça a necessidade de combinar orientação à população com políticas públicas que enfrentem as desigualdades de infraestrutura e garantam condições adequadas de saúde nas periferias.