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O 11 de setembro de 2001 transformou radicalmente o mundo. Quando os aviões atingiram as Torres Gêmeas, também atingiram a maneira como as periferias passariam a ser vistas, reforçando a imagem de que as favelas são territórios associados ao tráfico de drogas, à violência e à criminalidade.

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Não é por acaso que o governo Trump e o candidato da extrema direita à Presidência da República em 2026 rezam pela mesma cartilha: as favelas são apresentadas como territórios de terroristas, como territórios inimigos.

No Rio de Janeiro, essa visão tendenciosa contribui para a realização de operações policiais cada vez mais militarizadas. Com isso, o trabalhador, a dona de casa, os estudantes e as crianças que vivem nas favelas são obrigados a conviver diariamente com o preconceito e com ações do Estado que, muitas vezes, apenas agravam os problemas enfrentados por essa população.

O que as favelas necessitam são políticas públicas sérias, não demagógicas ou meramente decorativas, que criem oportunidades para que seus moradores exerçam plenamente toda a sua potencialidade, criatividade e capacidade de transformação.

É óbvio que o 11 de setembro não causou a militarização das favelas, mas fortaleceu e legitimou equivocadas formas de pensar a segurança pública.

Enquanto os Estados Unidos declaravam uma “guerra ao terror” contra inimigos externos, cidades como o Rio de Janeiro aprofundavam uma espécie de “guerra interna” contra territórios pobres.

O que fica evidente é que o 11 de setembro nos deixou como herança a linguagem da guerra, a construção do inimigo e a militarização por parte do Estado.

Cabe a nós, cidadãos que desejam uma sociedade igualitária e justa, varrer do mapa, por meio do voto, esses falsos salvadores da pátria que, na verdade, pensam apenas em seus próprios interesses e não se importam verdadeiramente com as comunidades e seus moradores.

O 11 de setembro é uma data que jamais deve ser esquecida.