Em um momento em que o Brasil segue entre os países que mais matam mulheres no mundo, organizações feministas e lideranças comunitárias da Mata Sul de Pernambuco se unem para ocupar as ruas e exigir políticas de proteção. Nesta quarta-feira (10), às 15h, a Praça do Jacaré, no centro do Cabo de Santo Agostinho, será palco do ato de encerramento da Campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher – Rompa o Silêncio! Você Não Está Sozinha.
Promovida pelo Centro das Mulheres do Cabo (CMC) em parceria com o Comitê de Monitoramento da Violência e do Feminicídio no Território Estratégico de Suape (COMFEM), a manifestação também marca o Dia Internacional dos Direitos Humanos, reforçando a defesa da dignidade, da igualdade e da vida das mulheres — especialmente das que vivem em territórios populares, favelas e periferias, onde a vulnerabilidade é ainda maior.
Campanha percorreu cidades da Mata Sul levando diálogo e enfrentamento
A campanha “Rompa o Silêncio! Você Não Está Sozinha” mobilizou diferentes municípios da região — Sirinhaém, Palmares, Água Preta, Rio Formoso, Ribeirão e o próprio Cabo de Santo Agostinho — com rodas de diálogo, atos públicos e seminários que discutiram direitos, prevenção e estratégias de enfrentamento à violência de gênero.
Essas ações levaram para as comunidades uma mensagem fundamental: romper o silêncio é o primeiro passo para salvar vidas, especialmente em áreas onde a ausência de políticas públicas deixa as mulheres ainda mais expostas a agressões e feminicídios.

“Não admitimos esse extermínio”: mulheres denunciam e cobram ação do Estado
A coordenadora geral do CMC, Izabel Santos, reforça a urgência de ocupar as ruas e exigir respostas do poder público.
“Não admitimos esse extermínio contra as mulheres todos os dias. O nosso país é o 5º no ranking que mais mata a população feminina no mundo. Pernambuco registrou quase 80 feminicídios este ano. Em 2024, 1.492 mulheres foram vítimas desse crime cruel que ceifa o direito de nós vivermos”, denunciou.
Para Izabel, o ato é simbólico, mas também é ação concreta de resistência em uma região marcada por desigualdades. “Enquanto as mulheres das periferias seguirem morrendo, seguiremos mobilizadas”, disse.
Territórios periféricos como centro da luta
Iniciativas como a do CMC e do COMFEM reafirmam a importância de ações comunitárias no enfrentamento à violência de gênero. Em comunidades da Mata Sul — muitas delas com características semelhantes às favelas de grandes centros — a mobilização popular segue sendo uma das principais estratégias para proteger mulheres e fortalecer redes de apoio.














