Ajude a promover a comunicação comunitária
Google Logo Seguir no Google

Livro e mostra da documentarista Káliman Chiappini reúnem fotografías, poemas e relatos construídos a partir de uma pesquisa realizada em diferentes países

A exposição Serpentes do Mundo: Memória, Estilo, Conhecimento e Liberdade integra a programação da Casa da Favela durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2026. A mostra apresenta fotografias, poemas e relatos que abordam a experiência das mulheres em diferentes contextos sociais e culturais, resultado de uma pesquisa desenvolvida ao longo de cinco anos pela documentarista e artista Káliman Chiappini.

Publicidade

O projeto nasceu de uma investigação sobre o lugar ocupado pelas mulheres na sociedade e foi construído a partir de viagens realizadas pela autora em diferentes países. As experiências deram origem ao livro e, posteriormente, à exposição, organizada em quatro eixos: memória, estilo, conhecimento e liberdade.

“Este livro nasceu de uma investigação que começou com uma pergunta sobre o lugar da mulher na sociedade. Ao longo de cinco anos, percorri diferentes culturas para compreender como questões sociais, culturais e políticas atravessam a vida das mulheres. O resultado reúne histórias, poemas, fotografias e reflexões que também deram origem à exposição”, afirma Káliman.

A autora explica que a pesquisa também foi motivada por uma vivência pessoal. Segundo ela, o processo de criação começou quando passou a questionar o próprio lugar no mundo, transformando essa inquietação em uma investigação artística e documental.

“A pesquisa também partiu da minha própria trajetória. Quando ouvi a frase ‘se coloque no seu lugar’, comecei a questionar qual era esse lugar. Esse processo me levou a viajar, ouvir outras mulheres e transformar essas experiências em um trabalho que reúne diferentes linguagens, como literatura, fotografia e audiovisual”, relata.

A circulação internacional faz parte da construção da obra. Após receber apoio de uma organização dedicada a projetos de impacto social, Káliman permaneceu por dois anos na Índia e realizou pesquisas em outros países. Antes disso, sua trajetória no audiovisual já havia levado um de seus filmes ao Festival do Rio e, posteriormente, a um período de pesquisa em Berlim.

Para a autora, as viagens evidenciaram que, apesar das diferenças culturais, muitas mulheres compartilham desafios semelhantes relacionados às desigualdades de gênero.

“Minha trajetória passou por diferentes territórios, do Rio de Janeiro a outros países, sempre ligada à produção cultural e a projetos de impacto social. As viagens ampliaram minha pesquisa e mostraram que, apesar das diferenças entre as culturas, muitas mulheres enfrentam desafios semelhantes. O livro e a exposição são um registro desse percurso”, destaca.

Na Casa da Favela, a exposição dialoga com a proposta do espaço de valorizar produções culturais comprometidas com direitos, memória e território. Ao integrar a programação da Flip 2026, Serpentes do Mundo aproxima o público de uma narrativa construída a partir do encontro entre diferentes culturas e experiências femininas.

Como desdobramento da pesquisa que deu origem ao livro e à exposição, Káliman Chiappini também integra o projeto Favela Empreendedora – Mulheres em Movimento, desenvolvido em parceria com a Agência de Notícias das Favelas (ANF). A iniciativa vai selecionar 50 mulheres empreendedoras, sendo 25 moradoras de favelas do Rio de Janeiro e 25 de Duque de Caxias, para participar de um processo de formação, fortalecimento de redes e valorização de iniciativas lideradas por mulheres. Assim como em Serpentes do Mundo, o projeto aposta na escuta, na troca de experiências e no protagonismo feminino como ferramentas para impulsionar transformações nos territórios.