A arte como instrumento de transformação social, fortalecimento da identidade negra e valorização das periferias chega a novos espaços de Salvador com o Circuito Cabeça Cara. Nos dias 17 e 18 de julho, o projeto realiza uma programação gratuita que reúne oficina de teatro, exibição do curta-metragem Cabeça Cara – Ajeum? e roda de conversa, promovendo encontros entre artistas e comunidades da capital baiana.
Depois de iniciar a circulação no Centro Cultural de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário, o projeto segue agora para o Centro de Teatro do Oprimido da Bahia (CTO-BA), no Rio Vermelho, no dia 17 de julho, e para o CSU Valéria, em Nova Brasília de Valéria, no dia 18 de julho. A iniciativa amplia o acesso à produção artística negra e fortalece o diálogo entre diferentes favelas de Salvador, aproximando moradores de favelas e periferias de experiências culturais gratuitas.
Voltada para adolescentes, jovens e adultos das periferias e favelas de Salvador, a programação começa sempre às 14h, com uma oficina de teatro ministrada pelo artista, professor e psicólogo João Caetano. Às 17h, o público acompanha a exibição do curta Cabeça Cara – Ajeum?, seguida de um bate-papo com os participantes sobre o processo criativo da obra e temas como memória, ancestralidade, identidade negra, território e pertencimento. As oficinas possuem vagas limitadas mediante inscrição, enquanto a sessão de cinema e a roda de conversa são gratuitas e abertas ao público, conforme a capacidade dos espaços.

Idealizado por João Caetano, o Circuito integra a plataforma artística Cabeça Cara, dedicada à pesquisa em cinema, teatro, performance e intervenção urbana a partir das experiências negras contemporâneas. Ao reunir diferentes linguagens artísticas em espaços culturais e comunitários, o projeto amplia o acesso à produção artística independente e estimula reflexões sobre memória, afetos, ancestralidade e futuros possíveis.
Para o idealizador, a circulação representa também um reencontro com territórios que marcaram sua trajetória artística.
“Realizar o Circuito Cabeça Cara com esse itinerário é uma sensação muito grande de voltar para casa. Começamos por Plataforma, em um encontro que mobilizou uma presença muito forte de pessoas do Subúrbio Ferroviário. Agora seguimos para o Rio Vermelho e para Valéria, lugares que também fazem parte da minha trajetória e da trajetória do Coletivo Quilombayô e do projeto Notas Coloridas”, afirma João Caetano.
Misturando ficção, performance e afrofabulação, o curta-metragem Cabeça Cara – Ajeum? acompanha a trajetória de um jovem negro que reencontra suas memórias ancestrais e descobre novos caminhos de pertencimento, liberdade e transformação. Durante esse percurso surge Aiyra, persona construída a partir da arte drag como expressão de potência, imaginação e ancestralidade. Mais do que contar uma história, o filme propõe novas possibilidades de representar as experiências negras e convida o público a refletir sobre identidade, memória e futuros possíveis.
Além da exibição, o Circuito aposta na formação artística como ferramenta de participação social. As oficinas utilizam jogos teatrais, exercícios corporais e práticas inspiradas no Teatro do Oprimido, nos Teatros Negros e na Psicologia Preta, estimulando a autoexpressão, a escuta coletiva e a reflexão sobre corpo, identidade e território. As atividades acolhem pessoas com ou sem experiência artística, transformando cada encontro em um espaço de experimentação, aprendizado e fortalecimento dos vínculos comunitários.
A circulação é realizada em parceria com o Centro de Teatro do Oprimido da Bahia (CTO-BA), o Coletivo Quilombayô e o projeto Notas Coloridas, responsáveis também pela direção musical do filme. A abertura do circuito aconteceu em parceria com o Circuito Cultural Suburbano, iniciativa dedicada à valorização da arte, da cultura e do bem viver produzidos no Subúrbio Ferroviário de Salvador.
Segundo João Caetano, o projeto busca ressignificar a expressão “Cabeça Cara” e afirmar a potência das existências negras.
“Cabeça Cara não se resume a uma forma de nomear quem foi sentenciado à morte, à marginalização ou à falta de espaço na sociedade. Os alvos racistas não podem nos definir. Cabeça Cara somos nós: pessoas que conhecem o valor das próprias existências, conhecem a própria história, vivem a sua cultura e cultivam a ancestralidade.”














