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No próximo dia 25 de julho, data que celebra simultaneamente o Dia Nacional do Escritor, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, Salvador recebe o lançamento de “Ao Som do Sinal – Novos Contos Negros”, coletânea que apresenta ao público dez escritores estreantes, sendo nove deles jovens mulheres negras.

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O lançamento acontece às 9h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, e marca a culminância do projeto Cri’Ativa – Talentos Literários, iniciativa que busca ampliar o acesso à produção literária para jovens autores, especialmente aqueles que historicamente enfrentam dificuldades para ingressar no mercado editorial.

A obra reúne contos que abordam temas como ancestralidade, pertencimento, racismo, afetos, amizade, violência, esperança e futuro. Em muitas narrativas, a escola aparece como espaço de formação, conflitos, descobertas e construção de projetos de vida, refletindo experiências vividas por jovens negros e negras.

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Idealizado pelo escritor, professor e arte-educador Jocevaldo Santiago, o Cri’Ativa surgiu após mais de quinze anos de atuação na educação pública. Ao perceber que muitos estudantes produziam textos de qualidade, mas não encontravam caminhos para publicá-los, o educador desenvolveu um percurso formativo que acompanha os participantes desde os primeiros rascunhos até a publicação de um livro.

Mais do que oficinas de escrita, o projeto oferece acompanhamento editorial, tutorias individuais, leituras coletivas e sucessivos processos de reescrita, reforçando a literatura como prática de criação, escuta, pesquisa e responsabilidade com a palavra.

“O destino desses bons textos seria o esquecimento? Foi essa inquietação que deu origem ao Cri’Ativa. Queríamos criar um percurso capaz de transformar talento em autoria e fazer com que esses jovens chegassem ao mercado editorial”, afirma Jocevaldo Santiago.

Para muitos participantes, a publicação representa a realização de um sonho que parecia distante. A escritora estreante Nathalia Oliveira conta que entrou no projeto apenas para aperfeiçoar sua escrita.

“Eu nunca pensei que publicaria um livro. Entrei no Cri’Ativa porque queria melhorar minha escrita e aprender mais. Hoje, olhar para esse livro me faz lembrar que, às vezes, os sonhos mais bonitos são aqueles que a gente nem imaginava viver.”

Já Alicia Cardoso destaca o impacto da representatividade na literatura.

“Publicar um livro é deixar no mundo uma parte de mim para que outras pessoas possam se identificar. Espero que outras meninas negras percebam que sua existência, sua voz e sua história importam.”

Outro destaque da coletânea é o protagonismo feminino. Das dez pessoas que assinam a obra, nove são jovens mulheres negras, evidenciando uma nova geração que reivindica espaço na produção literária brasileira e amplia a diversidade de narrativas presentes no cenário cultural.

Durante o desenvolvimento do projeto, Jocevaldo Santiago também sistematizou o conceito de “Literar a vida”, método que propõe transformar experiências cotidianas em matéria-prima para a criação literária. Inspirada no conceito de escrevivência, desenvolvido pela escritora Conceição Evaristo, a proposta valoriza as vivências sem limitar a produção literária ao relato autobiográfico.

Para a escritora Ana Clara, participar do Cri’Ativa significou reconhecer o valor da própria voz.

“Hoje acredito que, assim como a história dos personagens pode mudar a vida de alguém, a minha história também pode.”

A autora Kaiane Brandão Pereira, que sonhava publicar desde a infância, afirma que o projeto ampliou sua compreensão sobre a escrita e o desenvolvimento dos personagens.

O lançamento no dia 25 de julho reforça o simbolismo da obra ao conectar literatura, educação, ancestralidade e valorização das mulheres negras, fortalecendo iniciativas que ampliam o acesso à cultura e estimulam a produção de novos autores nas periferias e comunidades negras.

A publicação foi contemplada pelo edital Territórios Criativos – Ano II, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, da Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura e do Governo Federal.