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A febre do futebol contagia o mundo inteiro e celebra a comunidade e a diversidade, mas em meio às celebrações e à euforia da Copa. Incidentes envolvendo Kylian Mbappé e o youtuber IShowSpeed ​​mostram que o racismo continua sendo um problema em torno do maior evento esportivo do mundo.

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Quando milhões de pessoas se reúnem para a Copa do Mundo, o futebol se transforma em símbolo de união entre povos e culturas. Porém, por trás dos grandes momentos, episódios de racismo revelam que a discriminação ainda faz parte da realidade do esporte.

Mbappé alvo de comentários racistas

Em 4 de julho, a seleção francesa de futebol celebrou sua vitória sobre o Paraguai, com o gol marcado por Kylian Mbappé. No entanto, em vez de ser apenas um momento de alegria, o jogador foi alvo de comentários racistas da senadora paraguaia Celeste Amarilla.

Amarilla descreveu Mbappé como um “camaronês colonizado, tentando desesperadamente passar-se por francês” e como um “brutamontes que não aprendeu a escrever”.

Mbappé respondeu às declarações nas redes sociais: “Sra. Celeste Amarilla, a senhora é uma mulher desprezível e indigna do seu cargo. A senhora não representa o Paraguai, esse país que transbordou paixão e honra ao longo da competição”, escreveu ele nas redes sociais.

A senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou uma carta aberta a Mbappé em francês e espanhol nas redes sociais, depois que seus comentários racistas ganharam destaque na imprensa mundial. Em grande parte da carta, ela criticava a resposta de Mbappé e exigia um pedido de desculpas do jogador, acusando-o de violência de gênero pela forma como falou dela e ameaçando tomar medidas legais caso ele não se retratasse: “Quem é você para me chamar de indignada ou desprezível quando nem sequer me conhece?”, questionou ela.

Mas o caso de Mbappé não foi um episódio isolado de racismo durante a Copa do Mundo.

IShowSpeed também é alvo de ataques racistas

O influenciador de redes sociais dos Estados Unidos IShowSpeed, ​​transmitiu partidas ao vivo durante o torneio, contando com a participação do presidente da FIFA, Gianni Infantino, e do ex-atacante do Barcelona e do Milan, Zlatan Ibrahimovic, em algumas de suas transmissões. Durante a vitória da Argentina por 3 a 2 sobre Cabo Verde, em 3 de julho, o influenciador vestia uma camisa da seleção de Cabo Verde e um vídeo de sua transmissão ao vivo mostra torcedores argentinos supostamente gritando ofensas racistas contra ele.

Após o episódio a FIFA abriu uma investigação após alegações de ofensas racistas contra IShowSpeed ​​durante o jogo. Em comunicado, a entidade afirmou: “A Copa do Mundo da FIFA é uma celebração da unidade, da diversidade e do respeito”, acrescentando que “ela reúne pessoas, culturas e comunidades de todo o mundo, e qualquer pessoa que aja de maneira a comprometer esses valores não é bem-vinda ao nosso esporte”.

Reações e consequências

As ofensas racistas contra Mbappé também estão sendo levadas a sério. O governo do Paraguai distanciou-se das declarações da senadora paraguaia Celeste Amarilla, descrevendo-as como “contrárias aos valores e princípios que inspiram a convivência pacífica e o respeito à dignidade humana que nosso país promove”. Os comentários da senadora “de forma alguma” representavam a posição do governo ou do povo paraguaio, acrescentou o comunicado.

O presidente da França, Emmanuel Macron, foi uma das muitas pessoas que manifestaram apoio a Mbappé. “Mais um gol de Kylian Mbappé. Desta vez, contra o racismo”, disse ele nas redes sociais. “Todo o meu apoio. Quando as palavras difamam, nossos valores respondem: dignidade, respeito, fraternidade.”

O gabinete de Macron informou que o presidente do Paraguai, Santiago Peña, havia lhe escrito para expressar apoio e condenar as declarações.

O auxiliar técnico da França, Guy Stephan, disse aos repórteres que ainda não havia conversado com Mbappé sobre as ofensas racistas. No entanto, ele foi categórico ao condenar o ataque da senadora: “Em três palavras: é vergonhoso, vil, revoltante.”