Fundação Pedro Calmon anuncia ações de incentivo à leitura e acesso a livros na Bahia
Foto: Reprodução
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A democratização do acesso à leitura e aos livros é o mote das ações lideradas pela Fundação Pedro Calmon (FPC) que resultaram em cinco entregas anunciadas na tarde da última sexta-feira (03) no Auditório do Centro de Formação Ubiratan Castro, na Biblioteca Central da Bahia, nos Barris.

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O evento reuniu a diretoria Da Fundação, gestores de diversos segmentos do estado, personalidades religiosas, escritores, editores, estudantes, imprensa, membros da sociedade civil interessados no incentivo à leitura como ferramenta transformadora.

Sandro Guimarães, Diretor Geral da FPC anunciou as cinco ações que têm o objetivo de descentralizar o acesso à literatura, valorizar autores regionais e modernizar espaços culturais nos 27 Territórios de Identidade: Fomento à Cadeia do Livro, Projeto “Pouso da Palavra”, Atualização do Plano Estadual do Livro e da Leitura para a próxima década, Pesquisa Inédita “Bahia que Lê” e Catálogo “Bahia de Todos os Livros”. Um investimento de R$ 5 milhões voltados para as políticas de livro e leitura no estado.

 Fortalecimento da Produção Local

O Catálogo Bahia de Todos os Livros prioriza a compra de livros de escritores baianos e produzidos por editoras baianas, universitárias e comerciais, com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva e econômica do livro no estado.

Com a ação, 30 editoras baianas foram contratadas. Dentre elas, a Cordelizar Editora e Produtora Cultural. Paulo Azevedo, Diretor da Institução vê a iniciativa como uma oportunidade de levar o cordel ainda mais longe: “Filho do Mestre Bule Bule, cresci com os cordéis empilhados nos corredores da minha casa e muitas vezes até sem incentivo pra que essas obras pudessem chegar até as pessoas, vendo esse conjunto de políticas que temos hoje partindo desde as festas literárias, que nos oportuniza rodar esse estado inteiro, levando o cordel, levando o patrimônio representado pelo Mestre Bule Bule nos quatro cantos do estado, é um marco histórico”.

Além da divulgação da arte cordelista, ele destaca a ação para os negócios. “Mestre Bule Bule desde o início da sua jornada nos ensinou a organizar o nosso caminho, então nós publicamos os nossos cordéis, criamos a nossa empresa pra poder fazer esse trabalho e hoje poder participar desse processo histórico de ver uma editora que trabalha essencialmente com cordel participando desse processo de política pública e vender as nossas obras para o Governo do Estado, é algo que nos deixa muito cheios de orgulho”.

Foto: Divulgação

Legado Damário da Cruz

O poeta e fotógrafo baiano, Damário da Cruz inspirou a criação e execução do Projeto “Pouso da Palavra” que vai viabilizar a implantação e a modernização de 300 novos espaços de leitura em todo o estado. Os locais selecionados são prioritariamente comunidades quilombolas, indígenas, de terreiro e áreas de vulnerabilidade social nos 27 Territórios de Identidade.

 Cada uma das comunidades receberá um kit completo de inclusão digital e difusão cultural. No total, a FPC distribuirá 30 mil exemplares de livros físicos. Cada ponto de leitura será equipado com 100 livros físicos, 1 televisão de 50 polegadas, 1 notebook, 1 câmera digital, 1 microfone sem fio, 1 caixa de som com tripé, além de receber treinamento técnico para mediação de leitura e gestão de acervos.

Economia de resistência e reconhecimento histórico

Após anos de espera, as baianas de acarajé da Bahia celebraram o reconhecimento do seu trabalho registrado no caderno do IPAC “Ofício das Baianas de Acarajé”. O exemplar resgata a memória, a sabedoria e a luta das matriarcas empreendedoras que mudaram a história enquanto vendiam os quitutes pelas ruas das cidades baianas. O historiador e diretor Geral do IPAC falou sobre a função do Instituto ao publicar o documento: “É o IPAC fazendo o seu papel de preservar, de perpetuar é muito importante esse papel que a gente exerce e porque muitas vezes as pessoas não entendem. O papel do IPAC quando a gente transforma em patrimônio cultural é pra que a gente faça com que a sua história não se perca e esse caderno das baianas é uma das várias ações que nós fazemos pra guardar a memória e respeitar o ofício das baianas de acarajé”.

Marcelo destaca a importância dessas mulheres ancestrais para a história: “As baianas de acarajé que são nada mais, nada menos do que mães, pessoas que desde a época da escravidão ajudavam na nossa libertação ajudavam porque elas tinham essa liberdade restrita mas um pouco maior de transitar na sociedade naquele período então fazia com que as informações chegassem e também ajudavam a comprar alforrias e isso faz com que hoje essas mulheres libertem e suas famílias sejam libertas da fome, sejam libertas do estado precário de sobrevivência através da alimentação, vendendo seus bolinhos de fogo, vendendo seus acarajés nas ruas, no dia a dia e matando a fome de muita gente”.