Foto: Rose Cunha
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A cidade histórica de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, recebe desde a última quinta-feira (5) a 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica). Com o tema “Como ser criativo com tanta IA por aí?”, o evento segue até domingo (8), reunindo escritores, pesquisadores, artistas, estudantes e leitores em uma programação gratuita que propõe reflexões sobre literatura, tecnologia, identidade cultural e os caminhos da criação artística na contemporaneidade.

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A edição deste ano coloca em discussão os impactos da inteligência artificial (IA) nos processos criativos, na produção literária e nas artes. A proposta é discutir os limites das novas tecnologias, a autoria, os direitos dos criadores e a importância da criatividade humana em um cenário cada vez mais atravessado por ferramentas digitais.

Durante quatro dias, a programação ocupa diferentes espaços de Cachoeira, com mesas de debate, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, oficinas, saraus, contação de histórias, exposições, apresentações teatrais e shows. A iniciativa também busca ampliar o acesso à leitura e aproximar diferentes gerações do universo literário.

Literatura, tecnologia e diversidade

Entre os destaques da programação está a Tenda Paraguaçu, que recebe discussões sobre inteligência artificial, ancestralidade, literatura negra e os desafios da produção cultural. Um dos debates reúne a professora e pesquisadora Nilma Lino Gomes e o pesquisador Tarcízio Silva para discutir o racismo algorítmico e seus impactos na sociedade.

A programação também conta com a participação de autores internacionais, como a escritora ruandesa Scholastique Mukasonga e a venezuelana María Elena Morán, em discussões sobre diásporas literárias e diferentes experiências de produção narrativa.

Na Geração Flica, espaço dedicado ao público jovem, escritores, ilustradores, quadrinistas e criadores de conteúdo discutem como a inteligência artificial vem transformando a literatura, a ilustração e as formas de contar histórias.

Já a Fliquinha concentra atividades voltadas ao público infantil, com contação de histórias, oficinas, apresentações e encontros com escritores. A proposta é incentivar o contato com os livros desde a infância, utilizando diferentes linguagens artísticas e educativas.

Foto: Espaço Fliquinha na UFRB em Cachoeira / Créditos: Rose Cunha

Autores baianos e produção independente ganham espaço

A valorização da literatura produzida na Bahia também é um dos eixos desta edição. Na Praça da Aclamação, o Espaço Vozes da Bahia reúne 60 escritores, sendo 30 autores independentes e outros 30 vinculados a seis editoras independentes. Os participantes foram selecionados por meio de edital público e integram uma programação de lançamentos, debates, saraus e intervenções culturais.

A iniciativa é coordenada pela Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, e busca ampliar a visibilidade de escritores baianos, fortalecer a produção editorial independente e criar oportunidades de aproximação entre autores e leitores.

Outro destaque é a Casa dos Autores e das Autoras Baianas, que reúne produções literárias do estado e atividades voltadas à circulação de livros e ao fortalecimento do mercado editorial.

A programação também recebe a exposição “Conto dos Orixás”, do quadrinista e ilustrador baiano Hugo Canuto. A obra aproxima a linguagem das histórias em quadrinhos das narrativas e tradições de matrizes africanas, valorizando a ancestralidade e contribuindo para o enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.

Cultura e manifestações populares no Recôncavo

Embora a programação da Flica se concentre em Cachoeira, o evento também estabelece conexões com o município vizinho de São Félix, por meio de atividades culturais realizadas no Instituto Dannemann e de ações que promovem a integração entre as duas cidades.

Entre as atividades estão a Remada Literária, realizada na quinta-feira (5), com travessia entre Cachoeira e São Félix; a mesa “Lendo a Cidade Presépio”, que reuniu os escritores Walter Fraga e Lucineide Souza, na sexta-feira (6); e o cortejo cultural da Esmola Cantada da Festa de Santa Bárbara, previsto para este domingo (8).

Além da literatura, a Flica promove encontros entre diferentes expressões culturais. Os palcos Ritmos e Raízes recebem apresentações musicais e manifestações populares, com atrações como Jau, Sued Nunes, Mãeana e Skanibais.

A programação também contempla atividades que dialogam com a identidade cultural do Recôncavo, incluindo rodas de capoeira, saraus, cordel, apresentações artísticas e intervenções em espaços públicos.

No domingo (8), último dia da festa, a programação prevê o encerramento com o tradicional “Bye Bye Flica”, um arrastão cultural com manifestações populares do Recôncavo, em direção à Praça 25 de Junho, em Cachoeira. Entre as apresentações previstas estão dança de rua, samba de roda e pagode.

Ao reunir diferentes gerações, linguagens e experiências, a Flica reafirma a importância dos encontros literários como espaços de circulação de conhecimento, valorização da produção cultural e fortalecimento da identidade regional. Em uma edição que provoca reflexões sobre o futuro da criatividade diante das novas tecnologias, o evento também evidencia a força das narrativas humanas, das memórias e das expressões culturais que atravessam o território baiano