As trajetórias de mulheres que constroem o audiovisual pernambucano estão no centro do documentário “Parte de Mim: Um Documentário Sobre as Mulheres do Cinema Pernambucano”, dirigido por Isabela Ferro. A produção será exibida neste domingo (8), às 14h, no Cinema São Luiz, na área central do Recife. A entrada é gratuita e, após a sessão, haverá um debate com a diretora, mediado pela estudante de Jornalismo Camila Deschamps.
Com duração de 25 minutos, a produção reúne depoimentos de Kátia Mesel, Tuca Siqueira, Luci Alcântara, Yane Mendes, Dea Ferraz, Cíntia Lima e Danielle Valentim. As sete realizadoras representam diferentes gerações e experiências profissionais e discutem as condições de trabalho, o acesso aos recursos de produção e as dificuldades de permanecer no setor.
Uma das pioneiras do cinema pernambucano, Kátia Mesel tem mais de cinco décadas de atuação. Em entrevista à diretora Isabela Ferro, publicada no portal Cinematógrafa em junho de 2026, ela destacou a contribuição do estado para a formação de profissionais que acabam buscando oportunidades em outros lugares.
“O cinema pernambucano impacta. Temos atores e atrizes maravilhosos que vão embora porque existem mais oportunidades, mas que foram gestados aqui”, afirmou.
A cineasta também questionou o preconceito etário nos mecanismos de financiamento cultural. Em entrevista ao projeto Cineastas Pernambucanas, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em 2021, declarou: “Experiência devia contar mais nesses editais de Pernambuco, é um castigo ser idosa”.
As dificuldades de financiamento e as condições de trabalho também aparecem nos relatos de Tuca Siqueira e Dea Ferraz. Já Cíntia Lima e Danielle Valentim abordam os obstáculos enfrentados por mulheres negras no audiovisual e a importância das redes de apoio para desenvolver projetos e conquistar espaços de criação.
A produção periférica é representada por Yane Mendes, cineasta, educadora popular e articuladora de mídias comunitárias. Sua participação amplia a discussão sobre o direito de moradores das periferias produzirem e contarem suas próprias histórias.
Em março de 2026, durante uma exibição no Cinema São Luiz que marcou seus 15 anos de trajetória, Yane destacou a importância de ocupar as salas de cinema: “Exibir filmes no meu estado e celebrar 15 anos de caminhada no cinema é uma demarcação histórica. É afirmar que nossas histórias também pertencem às grandes telas”, afirmou à Secretaria de Cultura de Pernambuco.
Luci Alcântara, por sua vez, relembra sua relação com o cinema desde a infância, trazendo para o debate a importância do acesso à cultura na formação de novas gerações.
Memória e produção independente
Desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo, o documentário surgiu do interesse de Isabela Ferro pela direção cinematográfica e pelas condições de realização de filmes.
A pesquisa incluiu levantamento bibliográfico, análise de produções audiovisuais e entrevistas em profundidade. Inicialmente, o projeto previa ouvir 12 mulheres, mas chegou a sete participantes devido a limitações de deslocamento, disponibilidade e estrutura da equipe.
As gravações ocorreram durante 15 dias, em espaços como o Cinema São Luiz, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, o Museu Murillo La Greca, a Universidade Católica de Pernambuco e as residências das entrevistadas.
Ao registrar essas trajetórias, o filme coloca em discussão quem tem acesso aos recursos e às oportunidades de produção e quais histórias conseguem chegar às telas.














