Foto: Reprodução
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Estudantes da rede estadual de ensino da Bahia foram destaque internacional ao conquistarem prêmios no Mundial de Ciências e Tecnologias 2025, realizado em Valparaíso, no Chile. Os jovens, vindos de escolas públicas de Salvador, Boninal e Palmeiras, mostraram que o conhecimento científico pode nascer e florescer nas favelas, escolas públicas e comunidades do interior, quando há incentivo, oportunidade e compromisso com uma educação transformadora.

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A participação foi viabilizada pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), que por meio de editais tem financiado a presença de estudantes e professores em eventos científicos nacionais e internacionais. As premiações conquistadas reforçam o protagonismo estudantil baiano e a potência das pesquisas desenvolvidas a partir de realidades locais.

Entre os premiados, o destaque ficou para Daniel Santana, 18 anos, estudante do Colégio Estadual de Tempo Integral Rui Barbosa, em Boninal, que conquistou o 1º lugar na categoria Educação com o projeto “Diversidade étnico-racial para uma educação antirracista, decolonial e intercultural”.

“Ver um projeto que nasceu do desejo de transformar a educação sendo reconhecido internacionalmente já é algo grandioso, mas conquistar este prêmio torna tudo ainda mais inesquecível. É a prova viva de que, quando a educação se compromete com a diversidade e com o enfrentamento ao racismo, ela atravessa fronteiras e faz história”, celebrou Daniel.

A orientadora do projeto, professora Naiara de Carvalho, destacou o impacto da pesquisa na formação cidadã e crítica dos estudantes. “A pesquisa transforma o próprio Daniel, afinando seu senso crítico e sua capacidade de intervenção. O compromisso e a visão que ele desenvolveu neste processo são ferramentas que levará para toda a vida”, afirmou.

Outro grupo premiado foi formado pelas estudantes Giovanna Chaves, Iasmim Viana e Eduarda Silva, do Centro Juvenil de Ciências e Cultura (CJCC) de Salvador, integrantes do Clube de Ciências Sementes da Bahia. O trio recebeu o Prêmio Destaque dos Destaques com o projeto “Cura natural: preservação de plantas africanas com propriedades medicinais do Brasil”, que resgata saberes tradicionais e reforça o papel da cultura afro-brasileira na construção do conhecimento científico.

“Perceber que a iniciação científica pode ultrapassar fronteiras é ainda mais especial. Mais gratificante ainda foi receber este prêmio”, disse Giovanna. Para a orientadora, professora Laísa Brandão, o reconhecimento internacional confirma o poder transformador da educação pública. “A importância de recebê-lo traz para as estudantes a certeza de que a educação pode levá-las muito longe. Muda o olhar para o estudo e muda vidas”, ressaltou.

Já os estudantes Israiany Andrinyelle Silva e Lucas Santos, do Colégio Estadual Professora Nilde Maria Monteiro Xavier, em Palmeiras, apresentaram o projeto “Aromas da Chapada: sabão artesanal”. Orientados pelos professores Jadson Conceição e Sérgio Lopes, os jovens desenvolveram uma solução sustentável que transforma resíduos poluentes em sabões ecológicos, gerando renda para a comunidade e promovendo consciência ambiental.

As conquistas dos estudantes reforçam o potencial científico e criativo da juventude baiana — especialmente das escolas públicas das favelas, periferias e cidades do interior, onde a educação se torna ferramenta de transformação social. Com apoio e incentivo, esses jovens mostram que ciência, cultura e identidade podem caminhar juntas, revelando ao mundo o poder das ideias que nascem do povo.