Foto: Divulgação
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O Galpão Bela Maré, no Rio de Janeiro, realiza entre os dias 18 de outubro e 22 de novembro a quarta edição do CineBela Mostra Abya Ayla, um evento que celebra o encontro entre culturas originárias, experiências periféricas e o poder transformador do audiovisual. A mostra propõe discutir as migrações a partir das vivências de povos indígenas aldeiados, urbanos e periféricos, destacando as trocas de saberes, fazeres e narrativas entre territórios historicamente marginalizados.

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A cerimônia de abertura acontece neste sábado (18), a partir das 17h, no próprio Galpão Bela Maré, com exibição dos filmes “Preconceito”, de Olinda Wanderley, e “UYRÁ – A retomada da floresta”, de Juliana Curi. Após as exibições, o público poderá acompanhar um debate sobre “Migrações Originárias e a Demarcação de Telas”. A noite encerra com a festa de abertura da DJ Pantoja, às 20h.

Gratuita e voltada para todas as idades, a programação da mostra se estende por mais de um mês, com nove sessões de cinema, duas formações, cinco debates e atividades infantis. As curadorias são assinadas por Ana V Lopes, indígena Guarani M’bya de Angra dos Reis e curadora do Galpão Bela Maré, e Anna Luisa Oliveira, afroindígena originária Maracá do Sertão da Bahia e coordenadora do espaço. Parte das obras exibidas foi selecionada por meio de chamada pública, reunindo produções audiovisuais que retratam as diversas expressões e realidades dos povos originários.

Entre as formações oferecidas, o curso “Demarcando Telas”, inspirado nas reflexões do pensador indígena Ailton Krenak, será realizado de 21 de outubro a 12 de novembro e voltado para o público adulto. Já o curso “Criação, Saberes e Fazeres de Diversos Povos Originários”, que acontece de 6 a 18 de outubro, é voltado especialmente para a primeira infância.

Mais do que uma mostra artística, o CineBela Abya Ayla se consolida como um espaço de pertencimento e valorização das identidades indígenas em contextos urbanizados. O evento aproxima as narrativas e saberes originários das populações de favelas e periferias, ampliando o acesso a conhecimentos e experiências que muitas vezes não estão representados nos espaços institucionais de arte e cultura.

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, cerca de 53,97% da população indígena brasileira — o equivalente a 914.746 pessoas — vive em áreas urbanas, o que reforça a importância de iniciativas como a Mostra Abya Ayla, que cria pontes entre as lutas, memórias e existências que atravessam aldeias, favelas e cidades.

A Mostra Abya Ayla é uma realização do Observatório de Favelas, com apresentação do Ministério da Cultura (MinC), além do apoio da Rio Filme e Lei Paulo Gustavo.