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Artesãs apresentam seus trabalhos durante a primeira edição do Festival Meu Forte é Cultura

A primeira edição do Festival Meu Forte é Cultura acontece nesta sexta-feira (25) e no sábado (26), no Forte das Cinco Pontas, onde funciona o Museu da Cidade do Recife. Com entrada gratuita, o evento reúne cultura popular, gastronomia, artesanato, literatura, audiovisual e atividades de educação patrimonial. Entre as participantes estão artesãs ligadas ao projeto Cores do Amanhã e à Feira Xambá, que levam ao festival suas produções e experiências com a economia criativa.

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Moradora de Tejipió, no Recife, Cristiane Araújo trabalha com crochê há 30 anos e atua desde de 2020, como professora voluntária no Cores do Amanhã, ONG formada por educadores, artistas plásticos, grafiteiros, artesãos, músicos e artistas de diversas áreas que buscam levar cultura e cidadania através da arte. A produção em crochê passou a ser também uma atividade comercial durante a pandemia, quando ela começou a participar de feiras e divulgar as peças pelas redes sociais.

Foto: Acervo pessoal

Para Cristiane, oportunidades como a participação no festival ajudam a aproximar o artesanato do público. “É muito difícil o artesanato ir pras feiras e, quando tem uma oportunidade dessas, é bem gratificante”, afirma. Ela participa do evento como representante do Cores do Amanhã e também leva parte do trabalho que desenvolve.

A artesã destaca que a relação com o público vai além das vendas. O reconhecimento, as conversas e os contatos feitos durante as feiras também fazem parte do processo. Atualmente, além de produzir e comercializar as peças, ela concentra parte do trabalho no ensino do crochê.

“Não é só empreendedorismo. É levar para outras mulheres uma forma de se realizar, sair da rotina, e muitas vezes esse momento juntas funciona como terapia em si mesmo”, explica Cristiane, sobre as aulas que oferece.

A Feira Xambá também participa da programação e leva ao festival a experiência de mulheres que trabalham com arte, artesanato e economia criativa. O projeto tem entre seus objetivos fortalecer a geração de renda de mulheres negras, mães solo e chefes de família, além de criar espaços de troca e construção de redes de apoio.

Foto: Redes sociais

Tila Oliveira, idealizadora da Feira, destaca que a participação nesses espaços pode significar mais do que a comercialização dos produtos. “Muitas artesãs encontram ali não apenas uma oportunidade de renda, mas também reconhecimento, autonomia, autoestima e a certeza de que seu trabalho tem valor”, afirma.

A presença da Feira Xambá no festival também amplia a circulação das produções das artesãs e aproxima o público das histórias por trás de cada peça. “O contato direto com os clientes cria vínculos, aproxima histórias e permite que cada peça carregue consigo a identidade, a cultura e a força de quem a produziu”, diz.

Dois dias de programação

O Festival Meu Forte é Cultura ocupa o Forte das Cinco Pontas durante dois dias com atividades gratuitas. A programação inclui apresentações de grupos de cultura popular, feira de gastronomia e artesanato, cozinha-demonstração, exposição de livros, mostra audiovisual, palestras e visitas mediadas.

Na sexta-feira (25), estão previstas palestras sobre a história do Forte e a relação do patrimônio com a memória do Recife, além da exibição de produções audiovisuais pernambucanas. Às 16h, o Coco Xambá das Yabás encerra a programação de apresentações do dia.

No sábado (26), a programação começa às 10h e segue até às 16h, com feira de gastronomia e artesanato, atividades de educação patrimonial para famílias, visitas mediadas e apresentações do Maracatu Abêokútá, Afoxé Povo de Ogunté e Orquestra de Babá e passistas. A cozinha-demonstração também terá momentos dedicados ao bolo de rolo, bolo Souza Leão e bolo de noiva.

Tila destaca que, participar do evento representa uma oportunidade de ampliar o alcance do trabalho desenvolvido pelas artesãs. “Estar presente neste espaço fortalece nossa caminhada, amplia nossos aprendizados e contribui para que mais pessoas conheçam o talento e a potência das nossas artesãs”, afirma a representante.

O festival é realizado no Forte das Cinco Pontas, patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e tem como proposta aproximar o público da história do espaço e das diferentes manifestações da cultura pernambucana.