A sambista paulistana Grazzi Brasil, cria da favela do Rio Pequeno, na Zona Oeste de São Paulo, lança, entre 7 e 21 de julho de 2026, o projeto audiovisual “Na Gira”, trabalho que celebra seus 25 anos de carreira e homenageia as tradições de matrizes afro-brasileiras. Reconhecida por construir uma trajetória pioneira no samba-enredo e na música popular brasileira, a cantora apresenta um formato composto por álbum digital dividido em duas partes, DVD no YouTube e uma circulação de três apresentações gratuitas por equipamentos públicos periféricos da capital. O show oficial de lançamento está agendado para o dia 17 de julho, às 20h, no Teatro João Caetano, com entrada gratuita. Além do impacto cultural, a iniciativa prevê gerar 40 empregos temporários e oferecer oficinas de capacitação profissional para novos talentos da música local.
Sob a direção musical de Leandro Mattos e artística de Cris Casagrande, com lançamento pelo selo Londu Music, o produto fonográfico baseia-se na organização simbólica das giras de Umbanda. A primeira parte do álbum, intitulada “povo da direita”, chega às plataformas no dia 7 de julho, reunindo canções dedicadas a Orixás, Pretos-Velhos, Marinheiros e Baianos, com foco em temas de acolhimento e ancestralidade. A segunda parte, focada no “povo da esquerda”, será disponibilizada no dia 21 de julho junto ao DVD completo, trazendo o repertório de Exus e Pombagiras focado em estéticas de força e caminhos abertos.
O trabalho conta com as participações especiais dos intérpretes Sandro Luiz e Mayara Costa. Para a cantora, o projeto sintetiza sua formação no samba, na fé e nos ensinamentos de terreiro, servindo como um agradecimento aos ancestrais e a todos que fizeram parte de sua caminhada.
Para detalhar o significado dessa celebração, a artista reforça o impacto de sua vivência na construção da obra:
“Na Gira é o projeto mais importante da minha trajetória até aqui, porque reúne tudo o que me formou como artista e como mulher. Eu venho do samba, mas também venho do terreiro, da fé, da ancestralidade e dos ensinamentos que recebi ao longo da vida. Dividir esse trabalho entre a direita e a esquerda da gira foi uma forma de mostrar a riqueza e a complexidade da Umbanda, celebrando entidades que caminham comigo e inspiram minha música. Este projeto é um agradecimento aos meus ancestrais, aos Orixás e a todas as pessoas que fizeram parte da minha caminhada nesses 25 anos de carreira.”

A trajetória de Grazzi Brasil é marcada pelo pioneirismo no Carnaval, sendo a primeira mulher negra a ocupar simultaneamente o posto de intérprete oficial de escolas de samba nos grupos especiais de São Paulo e do Rio de Janeiro. A artista iniciou a carreira profissional aos 13 anos na banda Blackzuka, incentivada por artistas como Jorge Bem Jor, Chico Buarque, Tim Maia e Elis Regina, após conciliar a infância entre treinos de basquete na quadra da USP e o canto nos intervalos.
Mãe aos 16 anos, consolidou sua assinatura vocal na liderança de carros de som de agremiações como Vai-Vai, onde foi a primeira mulher a comandar o microfone principal, em 2017, Paraíso do Tuiuti, São Clemente e Estrela do Terceiro Milênio. Na indústria cultural, acumula atuações no musical “Cartola – O Mundo é um Moinho”, participações nos programas Ídolos e The Voice Brasil, e projeção internacional no festival SXSW, nos Estados Unidos, em 2024.
Além do resgate biográfico, “Na Gira” atua como ferramenta de salvaguarda da memória cultural afro-brasileira e fomento à economia criativa, celebra a fé e a cidade de São Paulo como território fundamental do samba e das culturas de matriz africana. A operacionalização dos shows gerará cerca de 40 postos de trabalho temporários para profissionais e, em contrapartida social, o projeto oferecerá um workshop gratuito de canto e gerenciamento de carreira voltado a iniciantes no samba, incentivando a autonomia artística e a profissionalização.














