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A organização Childhood Brasil, referência nacional no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, lançou na segunda-feira (20) a websérie “Violência Digital, Dano Real”, apresentada por Carlinhos Brown. A produção, com cinco episódios disponíveis no YouTube da instituição, orienta pais e responsáveis sobre os riscos enfrentados por crianças e adolescentes na internet, especialmente nas periferias e favelas, onde a falta de acesso à educação digital e o baixo letramento tecnológico agravam a vulnerabilidade.

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A série aborda temas como o acompanhamento do uso da internet pelos filhos, educação digital, mediação de conversas difíceis, formas de agir em situações de risco e canais de denúncia em casos de violência online. Entre os convidados estão Laís Peretto (diretora-executiva da Childhood Brasil), a educadora e ativista Sheylli Caleffi, a embaixadora jovem da SaferNet Julia Fernandes e o psicólogo Carlos Aznar, especialista em Psicologia Clínica.

A websérie integra o projeto “Navegar com Segurança”, criado em 2006 como uma cartilha de orientação para famílias e atualizado em 2023 para o formato digital. Além dos vídeos, a plataforma oferece conteúdos educativos e um guia gratuito para download, fortalecendo o compromisso da organização com a proteção digital de crianças e adolescentes em territórios populares.

Segundo Laís Peretto, o lançamento em parceria com Carlinhos Brown marca um novo capítulo na atuação da Childhood Brasil. “Infelizmente, a violência sexual contra crianças e adolescentes na internet tem crescido de forma exponencial nos últimos anos. Como organização que atua diretamente na proteção da infância, precisamos orientar pais e responsáveis para que saibam reconhecer e agir diante dos sinais”, destacou.

Números alarmantes no Brasil

De acordo com o Diagnóstico da Violência Sexual Online de Crianças e Adolescentes, publicado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) em parceria com o PNUD, entre 2022 e 2023, 23% das crianças e adolescentes entrevistados sofreram algum tipo de violência sexual online. Entre as vítimas, 76% são meninas, e 87% dos agressores são homens.
O estudo mostra ainda que 93,9% das denúncias são feitas por terceiros, revelando o medo e o silêncio que ainda cercam o tema. No mesmo período, o Disque 100 registrou 6.364 denúncias de violência sexual online contra menores.

Os dados escancaram desigualdades que atravessam o país: falta de regulação das plataformas digitais, baixo letramento digital das famílias e condições socioeconômicas precárias que aumentam a exposição e o risco de exploração sexual — uma realidade ainda mais presente nas favelas e periferias.

Brasil entre os países com mais denúncias do mundo

Um relatório da rede internacional InHope, divulgado em 2024, colocou o Brasil em quinto lugar mundial no ranking de países com mais denúncias de páginas que distribuem conteúdos de abuso sexual infantil. O país subiu da 27ª posição (2022) para a 5ª (2024), ficando atrás apenas de Bulgária, Reino Unido, Holanda e Alemanha.

A SaferNet Brasil, que coordena o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil online entre janeiro e julho de 2025 — um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o Relatório Anual 2024, 64% de todas as notificações recebidas no país se referem a esse tipo de crime. Em agosto, após a viralização do vídeo “Adultização”, do influenciador Felca, as denúncias atingiram um pico: mais de 6 mil registros em apenas um mês, mostrando como a mobilização social pode impulsionar a visibilidade e o combate à violência online.

“Família é a primeira linha de proteção”

Para Carlinhos Brown, que apresenta a série, a participação ativa das famílias é essencial.

“Como pai de cinco meninas e três meninos, devo me inserir na curiosidade de outros pais que tentam entender os novos momentos de comunicação e as novas mídias para proteger seus filhos. Essa é a importância de participar de uma iniciativa como essa — chamar atenção para o mau uso de ferramentas que deveriam fortalecer, e não ferir, o crescimento das nossas crianças”, afirmou o artista.

A websérie e o material do projeto “Navegar com Segurança” estão disponíveis gratuitamente no canal da Childhood Brasil no YouTube e no site oficial da organização.