No próximo sábado (14), o Parque São Bartolomeu, localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador, será palco da VII Caminhada do Povo de Santo. Mais do que um ato religioso, a mobilização já se consolidou como símbolo de resistência das comunidades de matriz africana, povos indígenas e populações da periferia e favela da cidade, unindo fé, ancestralidade e luta em defesa da natureza.
Este ano, o evento acontece em meio a novas ameaças. A Prefeitura de Salvador iniciou obras para implantação de um Ecoponto e de um galpão de resíduos sólidos justamente sobre a nascente da Cachoeira de Oxumarê, área considerada sagrada e protegida por lei. O projeto faz parte do programa “Novo Mané Dendê”, mas vem sendo duramente criticado por violações ambientais e culturais. O Ministério Público Federal, inclusive, recomendou a suspensão das intervenções.
Outro ponto de cobrança é a Cachoeira de Oxum, que segue poluída apesar da promessa feita desde a gestão de ACM Neto — e mantida pelo atual prefeito Bruno Reis — de realizar a despoluição. Já a Cachoeira Cascata de Nanã sofre com esgoto e falta de medidas efetivas da Embasa para retirar as redes de saneamento que comprometem o local.
“Não é apenas uma questão ambiental. É a preservação da memória, da ancestralidade e do direito de praticar a fé em um território sagrado. Oxumarê, guardião das águas e das cachoeiras, não pode ser silenciado pelo concreto”, afirmam os organizadores.


Caminhada pela vida e pelo sagrado
A programação começa às 8h, com concentração no Parque São Bartolomeu e saída às 9h. O ato reunirá comunidades de terreiro, movimentos sociais, coletivos ambientais e culturais. O percurso será marcado por rezas, cânticos, rituais e falas políticas, reafirmando a união entre espiritualidade, mobilização social e defesa do meio ambiente.
A partir das 13h, a caminhada ganha caráter cultural, com apresentações de capoeira, dança, música e poesia, reforçando o protagonismo popular e comunitário da mobilização.
Defesa da água, do território e da ancestralidade
Considerado um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica urbana do Brasil, o Parque São Bartolomeu é território de resistência desde os tempos do Quilombo do Urubu. Suas cachoeiras são referência para as religiões de matriz africana e para a vida cultural das comunidades que habitam o Subúrbio Ferroviário.
Para os organizadores, a luta vai além das fronteiras do parque:
“Defender o Parque São Bartolomeu é defender nossa história, nossa fé e o futuro de Salvador. Esta caminhada é um grito coletivo das favelas e periferias: pela água, pela floresta, pelo sagrado.”














