Salvador já respira o Melanina Acentuada Festival, que chega à sua sétima edição transformando a cidade em palco vivo das narrativas negras. Entre os dias 9 e 14 de julho, o público poderá mergulhar numa programação diversa que transita pelo teatro, literatura, cinema, música, dança e debates — sempre colocando no centro as experiências e o pensamento afro-diaspórico.
Idealizado pelo ator e dramaturgo Aldri Anunciação, o festival vai muito além do entretenimento. É um convite ao encontro, à escuta e ao reconhecimento da potência preta, reafirmando Salvador como um território de memória e futuro. E não por acaso o tema desta edição é “Ancestralidade Futurística”, que costura passado, presente e vislumbra o que está por vir.
Os espetáculos que ocupam teatros como o Goethe-Institut, Jorge Amado, Cambará da Casa Rosa e Cineteatro 2 de Julho revelam urgências do nosso tempo. O monólogo MACACOS, com Clayton Nascimento, que já percorreu Europa, EUA e diferentes estados brasileiros, retorna para cutucar feridas abertas do racismo estrutural. Já Parto Pavilhão, que estreia em Salvador, joga luz sobre o cárcere feminino a partir da história de uma mulher presa com seu bebê, misturando realidade e fantasia num enredo visceral. E Embarque Imediato, com Antônio e Rocco Pitanga, provoca reflexões sobre diáspora e pertencimento num aeroporto imaginário que conecta Brasil e África.


Mas o Melanina não é feito só de palco. Na rua, nos cafés e nas salas de ensaio surgem encontros como o Ateliê de Ideias, comandado por nomes como Leda Maria Martins, Diego Araúja, Eugênio Lima e Toni Silva. Há ainda workshops que usam o corpo como ferramenta para lembrar histórias ancestrais e consultorias para quem escreve dramaturgia e quer fortalecer sua voz.
E se a arte é também um ato político, o festival reforça seu papel ao garantir ingressos com valores simbólicos e cotas para estudantes de escolas públicas e pessoas com deficiência. “É fundamental que a gente crie brechas para que mais pretos e pretas ocupem as cadeiras e se reconheçam nas narrativas que sobem aos palcos”, destaca uma das artistas que participa da programação.
No final, o Melanina Acentuada é mais do que um festival: é um rito coletivo, um grande tambor que convoca diferentes gerações para celebrar, questionar e construir outras possibilidades de futuro a partir do legado negro. Um convite aberto para quem quiser chegar, ouvir, dançar e pensar junto.














