Foto: Divulgação
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A produção audiovisual de mulheres negras de diferentes territórios estará em destaque na VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio, realizada de 9 a 14 de novembro, em Brasília. A programação reúne 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, com obras de 15 estados brasileiros, do Distrito Federal e de Mali, Burkina Faso, Senegal e Cuba.

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As atividades acontecem em espaços culturais da capital, incluindo a Universidade de Brasília (UnB), e também poderão ser acompanhadas on-line. A iniciativa busca ampliar a circulação de filmes dirigidos por mulheres negras e preservar a memória dessas realizadoras no audiovisual.

Idealizada pela cineasta e professora Edileuza Penha de Souza, a Mostra chega à oitava edição com sessões competitivas, uma programação paralela em homenagem às cineastas Adelia Sampaio e Joyce Prado e duas oficinas gratuitas de formação audiovisual.

Segundo Edileuza, o evento também funciona como espaço de reconhecimento para novas realizadoras e para mulheres que abriram caminhos no cinema brasileiro.

“A Mostra reafirma, a cada edição, seu compromisso com a valorização do cinema negro no feminino, atuando tanto como vitrine para novas cineastas e suas produções quanto como espaço de reconhecimento e preservação da memória daquelas que abriram caminhos”, afirma.

Abertura resgata filme de Adelia Sampaio

A abertura acontece em 9 de novembro, no Cine Brasília, com a exibição do curta-metragem Agora Um Deus Dança Em Mim (1981), dirigido por Adelia Sampaio. A obra ficou desaparecida por mais de 40 anos e retorna às telas em versão restaurada pela Cinemateca Brasileira.

O filme acompanha a apresentação da bailarina Tatiana Cobbett ao som da música Largo e aborda as dificuldades enfrentadas por profissionais da dança para encontrar oportunidades de trabalho após a formação.

A sessão também apresenta Quase da Família (2026), último filme dirigido por Joyce Prado. A produção trata da luta pela regulamentação da profissão de trabalhadora doméstica no Brasil. A cineasta morreu em dezembro de 2025, antes de acompanhar a finalização do longa.

A homenagem às duas realizadoras integra a mostra paralela Orun e Ayê: Memórias que atravessam o tempo, que reúne produções de diferentes gerações de mulheres no cinema.

Oficinas gratuitas de audiovisual

A programação inclui duas atividades gratuitas voltadas à formação de profissionais e interessados no setor audiovisual.

Nos dias 10 e 11 de novembro, Bethânia Maia ministra a oficina Gira sua ideia – desenvolvimento e apresentação de projetos audiovisuais em ambientes de mercado. A atividade aborda a elaboração e apresentação de projetos para os mercados nacional e internacional.

Já nos dias 12 e 13, Rosa Miranda conduz a oficina Argumento e Roteiro, com exercícios de escrita audiovisual. A proposta é que os participantes desenvolvam uma ideia, um argumento e cenas iniciais para um roteiro.

Premiação e circulação dos filmes

As produções selecionadas concorrem em categorias como Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora, além de prêmios para curta, média e longa-metragem e Júri Popular.

A edição também terá uma programação em São Paulo, no dia 20 de novembro, com apoio do Itaú Cultural. Os filmes premiados poderão ser assistidos na plataforma IC Play, ampliando o acesso às produções para além dos dias da Mostra.

A identidade visual do evento é assinada pela artista Nene Surreal. A realização é da Sebastiana Mídias e Produções, com apoio da UnB, FAC, DEX, DEAC, Cine Brasília, Itaú Cultural, Cinemateca Brasileira e Sinagências.

Sobre Adelia Sampaio

Adelia Sampaio iniciou sua trajetória no audiovisual em 1968, como telefonista na distribuidora Difilm, no Rio de Janeiro. Ao longo da carreira, passou por diferentes funções técnicas até chegar à direção e à produção de filmes.

Enfrentando o racismo e a desigualdade de gênero no setor cinematográfico, construiu uma trajetória pioneira. Foi a primeira cineasta negra brasileira a dirigir um longa-metragem no país. Suas obras abordam questões sociais como racismo, marginalização, velhice e solidão.

A Mostra que leva seu nome foi criada em 2017 por Edileuza Penha de Souza para ampliar a visibilidade e a circulação do cinema realizado por mulheres negras, além de promover formação e intercâmbio entre realizadoras.