Foto: Ellen Katarine / GOVBA
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A produção literária baiana ganha visibilidade na 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica 2026), realizada entre os dias 5 e 8 de novembro, no Recôncavo Baiano. Um dos destaques da programação é o Espaço Vozes da Bahia, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC) que reúne escritores independentes, editoras e atividades voltadas à circulação de livros e ao incentivo à leitura.

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Instalado na Praça da Aclamação, o espaço recebe 60 autores: 30 escritores independentes e outros 30 vinculados a seis editoras independentes, selecionados por meio de edital público. A proposta é ampliar as oportunidades de divulgação da literatura produzida em diferentes regiões do estado e aproximar autores e leitores.

A iniciativa integra as ações do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-BA) e da Fundação Pedro Calmon, para fortalecer as políticas públicas do livro e da leitura e ampliar a participação de escritores baianos em eventos culturais.

Literatura de diferentes territórios

A programação está distribuída em dois palcos simultâneos. No Palco Varanda, o público acompanha lançamentos de editoras universitárias, debates sobre histórias em quadrinhos, saraus de cordel e discussões sobre a importância das feiras literárias na formação de leitores.

Já o Palco Vozes da Bahia recebe apresentações dos escritores selecionados pelo edital, que compartilham suas obras, experiências e trajetórias literárias.

Entre os participantes está Carlos Carneiro, escritor de Euclides da Cunha, que apresentou os livros Entre a Cruz e a Espada e Mané Vermei, com narrativas relacionadas à memória e à história da Guerra de Canudos.

A jornalista, pesquisadora e escritora Joalva Menezes também participou da programação, apresentando uma publicação resultante de sua pesquisa de doutorado, com proposta de distribuição gratuita em escolas e bibliotecas públicas.

Incentivo à leitura e valorização da cultura

Além dos debates e lançamentos, o Espaço Vozes da Bahia promove atividades permanentes de incentivo à leitura. Uma delas é o projeto Uma História por Outra, que estimula a troca gratuita de livros entre os visitantes.

O local também recebe a exposição Contos dos Orixás, do artista e quadrinista Hugo Canuto, que apresenta narrativas inspiradas nos mitos e nas matrizes africanas, aproximando literatura, ancestralidade e cultura.

A programação também contempla o público infantojuvenil, com iniciativas como a Pedaloteca, biblioteca itinerante criada por Fabiano da Silva, morador da Boca do Rio, em Salvador. O projeto trabalha com a circulação de livros e o incentivo à literatura afroindígena para crianças e adolescentes.

As atividades do espaço continuam neste sábado (7). A partir das 9h, o Palco Varanda recebe debates sobre trajetórias baianas do século XIX, com pesquisadores da Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), além de discussões sobre literatura, histórias em quadrinhos e os desafios da inteligência artificial para a criação artística. Às 14h, a programação terá novo sarau com cordelistas.

No Palco Vozes da Bahia, as apresentações dos autores e editoras selecionados estão previstas para as 9h, 10h, 11h, 14h e 15h.

Com o tema “Como ser criativo com tanta IA por aí?”, a Flica 2026 propõe reflexões sobre os impactos da inteligência artificial nos processos de criação e produção cultural. A programação reúne debates, lançamentos, oficinas, saraus, apresentações artísticas e atividades para diferentes públicos.

Ao abrir espaço para escritores independentes e produções literárias de diferentes municípios, a iniciativa contribui para ampliar a circulação de obras baianas e reconhecer trajetórias que nem sempre encontram espaço nos grandes circuitos editoriais.