Experiências brasileiras de combate à fome e à pobreza estão sendo compartilhadas com outros países por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Criada em 2024, durante a presidência brasileira do G20, a iniciativa reúne políticas públicas que podem servir de referência para governos interessados em ampliar a proteção social e garantir o acesso à alimentação e à água.
Entre as iniciativas brasileiras incluídas na chamada Cesta de Políticas estão o Bolsa Família, o Cadastro Único (CadÚnico), o Programa Cisternas, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e as Cozinhas Solidárias. Ao todo, o Brasil reúne 17 experiências na plataforma.
A Aliança Global completa dois anos em 18 de novembro de 2026 e conta atualmente com 223 membros, entre eles 107 países, além de organizações internacionais, instituições financeiras, fundações e outras entidades.
Experiências brasileiras chegam ao Quênia e a Cuba
Uma das experiências que já inspira outros governos é o Programa Cisternas, desenvolvido há mais de 20 anos no Brasil e coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
A tecnologia social brasileira, utilizada principalmente em regiões áridas e semiáridas, permite captar e armazenar água da chuva para consumo humano e produção de alimentos. A iniciativa passou a servir de referência para o governo do Quênia, que está preparando o plano Maji Plus, voltado à instalação de sistemas de captação de água da chuva e iluminação solar em escolas primárias e secundárias.
A proposta queniana também prevê a criação de condições para oferecer refeições escolares adaptadas às características climáticas locais, desenvolver hortas e ampliar as possibilidades de produção de alimentos.
Em Cuba, a experiência do Cadastro Único brasileiro contribuiu para a elaboração de um programa social direcionado à segurança alimentar e nutricional. A iniciativa utiliza registros sociais e sistemas digitais para identificar famílias em situação de vulnerabilidade e ampliar o acesso à alimentação adequada. Segundo o MDS, a proposta deverá alcançar quase 584 mil pessoas.
Agricultura familiar e segurança alimentar
Outra experiência brasileira compartilhada internacionalmente é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que fortalece a agricultura familiar por meio da compra pública de alimentos produzidos por pequenos agricultores.
A iniciativa também dialoga com as políticas de alimentação escolar, permitindo que governos adquiram diretamente da agricultura familiar os alimentos destinados às refeições oferecidas nas escolas.
Segundo a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal, o compartilhamento dessas experiências busca incentivar outros países a desenvolver mecanismos de compras públicas que fortaleçam a produção local e ampliem o acesso à alimentação.
Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do ministério, Valéria Burity, enfrentar a fome exige ações integradas de proteção social, produção de alimentos, acesso à água e promoção da alimentação saudável.
Aliança Global e o compromisso até 2030
A Cesta de Políticas funciona como um conjunto de referências que podem ser adaptadas às necessidades e às realidades de cada país. A proposta é apoiar a elaboração de planos nacionais, estimular a cooperação internacional e aproximar governos de instituições que oferecem suporte técnico, financeiro e de conhecimento.
Como parte das ações de aniversário, a Aliança Global lançou a plataforma da campanha internacional The Race to 2030 (A Corrida até 2030), disponível em português, inglês, francês e espanhol. O espaço reúne informações sobre iniciativas realizadas, resultados alcançados e materiais de comunicação para mobilizar países e organizações.
Em 18 de novembro, a organização também prevê lançar um relatório com balanço dos avanços, aprendizados e medidas necessárias para acelerar o enfrentamento da fome e da pobreza até 2030.
A iniciativa reforça a importância da cooperação entre países e do intercâmbio de políticas públicas para enfrentar problemas que ultrapassam fronteiras. No Brasil, experiências construídas ao longo de décadas, especialmente em territórios marcados pela desigualdade e pela insegurança alimentar, passam a integrar esse debate internacional.














