Nesta terça-feira (5), Salvador ganha um convite afinado com afeto e acesso: a Camerata Ópus Lúmen sobe ao palco do Museu Geológico da Bahia (MGB), às 15h, com um repertório especial em homenagem às mães. A apresentação integra o projeto Terças Musicais, iniciativa que vem transformando o espaço cultural em uma ponte entre a música de concerto e o público diverso da cidade — com entrada gratuita.
Realizado em parceria com a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), o projeto Terças Musicais acontece, tradicionalmente, na primeira terça-feira de cada mês e tem como principal missão democratizar o acesso à música erudita e popular. Mais do que concertos, a proposta busca formar novas plateias e aproximar a população de obras consagradas, muitas vezes restritas a espaços considerados elitizados.
Em um estado marcado pela potência cultural das periferias, iniciativas como essa ampliam horizontes e reafirmam que a música clássica também pertence ao povo. Ao ocupar um equipamento público com programação gratuita e acessível, o projeto contribui diretamente para a redução de desigualdades no acesso à cultura, criando oportunidades de formação, fruição e pertencimento.
Formada em 2001, a Camerata Ópus Lúmen integra o projeto Cameratas Para Todos, da OSBA, e carrega no nome e na prática a proposta de iluminar caminhos por meio da música. O grupo transita entre o erudito e o popular com leveza, costurando estilos e criando experiências sonoras que dialogam com diferentes públicos e territórios.
O sexteto é composto por Solamy Oliveira (clarinete), Gabriel Paes Marcaccini (oboé), Ilza Cruz (fagote), Davi Britto (trompa), Tota Portela (flauta) e Humberto Monteiro (percussão). Juntos, os músicos constroem apresentações que vão além da execução técnica: há uma preocupação em tornar o concerto didático e interativo, aproximando o público da estrutura e da sensibilidade das obras apresentadas.
Ao longo de sua trajetória, a camerata já passou por escolas, igrejas, instituições filantrópicas e espaços comunitários, reforçando o compromisso com a descentralização da cultura. Essa circulação por diferentes territórios é fundamental para que a música de concerto deixe de ser um privilégio e passe a ser um direito.
A apresentação no MGB, além de celebrar o mês das mães, se soma a um conjunto de ações que valorizam o acesso democrático à arte em Salvador — uma cidade onde a cultura pulsa forte nas ruas, nas comunidades e nas expressões populares.
Em tempos em que o acesso à cultura ainda é atravessado por desigualdades, concertos gratuitos como esse funcionam como pequenas revoluções silenciosas: ocupam espaços, abrem portas e afinam novos futuros.














