Criado para ampliar a visibilidade e a empregabilidade de profissionais negros no setor cultural, o projeto “Tua Ficha Tá Preta?” será lançado no Rio de Janeiro hoje, dia 4 de maio, às 19h, na Sala Funarte Sidney Miller, no Centro da cidade. A iniciativa reúne um banco de dados de trabalhadores pretos das artes e da cultura e propõe um debate sobre a ausência de pessoas negras em cargos criativos e técnicos do setor.
Idealizado pela produtora carioca Aline Mohamad, o projeto surgiu a partir da recorrente justificativa de produtores culturais que afirmavam não conhecer profissionais negros para compor equipes artísticas e técnicas. A proposta, que já foi realizada em São Paulo por meio do edital emergencial ProAC LAB 42/2020, agora ganha versão voltada ao estado do Rio de Janeiro.
A iniciativa é formada por três frentes principais: a série audiovisual “Um Pouco Mais de Mim”, com vídeo-biografias de 24 profissionais da cultura; o site Tua Ficha Tá Preta; e o perfil oficial no Instagram @tuafichatapreta. O objetivo é criar uma plataforma acessível para conectar artistas e técnicos negros a possíveis contratantes e projetos culturais.
Segundo Aline Mohamad, o debate sobre representatividade ainda costuma se limitar aos artistas que estão em cena, deixando de lado quem atua nos bastidores. “É comum ouvir que não conhecem um cenógrafo preto ou uma figurinista preta, por exemplo. Existe uma dificuldade de enxergar pessoas negras em cargos criativos e de liderança dentro da cultura”, afirma.
Antes do lançamento oficial, o projeto realizou a ação “Queremos Saber”, uma pesquisa feita em teatros cariocas para entender se o público presta atenção às fichas técnicas dos espetáculos e consegue identificar profissionais negros nesses espaços. O levantamento ouviu cerca de 700 pessoas e os resultados serão divulgados na plataforma do projeto.
Além do evento de lançamento, a programação prevê intervenções urbanas pela cidade. Uma grande interrogação preta circulará por pontos de grande movimento do Rio, enquanto totens com QR Codes serão instalados em teatros cariocas para direcionar o público ao site e às redes do projeto.
Para a idealizadora, a proposta também busca enfrentar o racismo estrutural presente no mercado cultural brasileiro. “Não estamos mais falando apenas de cotas, mas de equidade. Precisamos de pessoas negras ocupando espaços de criação, decisão e liderança dentro dos projetos culturais”, destaca.
Programação
- 19h às 19h30 — Welcome drink
- 19h30 às 20h30 — Mesa “Empregabilidade Negra nas Áreas Criativas das Artes”, com Aline Vila Real e Drayson Menezzes
- 20h30 às 21h — Encerramento














