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A Praça das Decisões, no final de linha do Bairro da Paz, em Salvador, foi tomada por música, dança e memória no último sábado (18), durante a celebração dos 44 anos de uma das comunidades mais emblemáticas da capital baiana. Com o tema “Bairro da Paz – Símbolo de Resistência”, o evento reuniu moradores, artistas e lideranças em um verdadeiro encontro de valorização da favela e da periferia.

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A programação contou com apresentações culturais que expressam a força e a diversidade local. A abertura ficou por conta da banda de percussão da comunidade, que trouxe clássicos do Olodum em parceria com o projeto Meu Corpo Meu Templo. Em seguida, o grupo Ritmo Livre, formado por estudantes do Colégio Estadual Mestre Paulo dos Anjos (Cetimpa), levou ao público uma apresentação marcada por energia e representatividade, junto à fanfarra.

Para Maria Luiza, de 14 anos, integrante do Ritmo Livre, o momento representa mais do que uma apresentação artística. “É a primeira vez que a gente se apresenta fora do colégio, mas dentro da comunidade. É importante ter esse tipo de evento para incentivar outros jovens a participarem de grupos culturais do bairro”, destacou.

Foto: Peu Agra

Com composições próprias, a Banda Futuro do Reggae agitou a Praça das Decisões. Também subiram ao palco Edy Vox, Vinícius Albuquerque, Tulani Masai, Banda Adsa e Grupo de Dança Atalaia.

Cria da comunidade, DJ Branco também esteve presente no evento. Ele relembrou o momento em que chegou ao bairro, quando ele ainda se chamava Malvinas, referência à guerra entre a Grã-Bretanha e a Argentina, em 1982.

“Para mim, é um momento de felicidade retornar ao Bairro da Paz, comunidade em que fui criado. Cheguei aqui na época da antiga Malvinas. Aqui era lama e mato. Não tinha água encanada, era água de poço e gato. Então, tocar neste evento aqui e participar desta celebração, para mim, é um sentimento de orgulho. Orgulho em dizer que tudo que sou hoje, a minha faculdade se chama Bairro da Paz. É um dia de luta, de resistência e um dia também de celebração”.

A noite seguiu com shows de artistas e grupos locais como Banda Futuro do Reggae, Edy Vox, Vinícius Albuquerque, Tulani Masai, Banda Adsa e o Grupo de Dança Atalaia, reafirmando a potência cultural presente nas periferias de Salvador.

Cria do território, o DJ Branco também participou da celebração e relembrou a trajetória do bairro, que antes era conhecido como Malvinas, em referência à guerra entre Grã-Bretanha e Argentina, em 1982. “Cheguei aqui quando era tudo lama e mato, sem água encanada. Hoje, voltar e tocar nesse evento é motivo de orgulho. Tudo que sou hoje vem daqui. Minha faculdade se chama Bairro da Paz”, afirmou.

Foto: Peu Agra

Um dos momentos mais simbólicos da noite foi a apresentação do bloco afro Ilê Aiyê, que fortaleceu os laços históricos e culturais entre o Curuzu e o Bairro da Paz. Mestre Mário Pan ressaltou a importância da juventude nos movimentos culturais das periferias. “44 anos não são 44 dias. O Bairro da Paz é um território de resistência. A gente precisa valorizar esses jovens e os projetos sociais que transformam vidas. Não somos só violência, temos muito potencial”, disse.

Além da valorização cultural, o evento também impulsionou a economia local, gerando renda para comerciantes e empreendedores da própria comunidade, reforçando a importância de iniciativas que movimentam a favela de dentro para fora.

Moradoras antigas também compartilharam memórias da luta pela permanência no território. Uma delas relembrou os tempos em que o bairro ainda era Malvinas. “Derrubavam nossas casas e a gente levantava de novo. Hoje, o Bairro da Paz é uma bênção. Criamos nossos filhos aqui, vimos tudo crescer. É resistência”, contou.

A celebração foi organizada pelo Conselho de Moradores e pelo Fórum de Entidades do Bairro da Paz, com apoio de instituições, organizações sociais e empreendedores locais. Mais do que uma festa, o evento reafirmou a identidade, a história e a força coletiva de uma favela que segue resistindo e produzindo cultura em Salvador.