Foto: Matheus Landim / GOVBA
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A Bahia deu um passo inédito na rede pública de saúde com a inauguração do Hospital Estadual Costa dos Coqueiros, em Lauro de Freitas, o primeiro hospital de transição e longa permanência do país dedicado integralmente ao SUS. A entrega, realizada nesta quinta-feira (27), reuniu o governador Jerônimo Rodrigues, o ministro da Saúde Alexandre Padilha e a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, e marcou também o anúncio de um pacote de investimentos superior a R$ 2,5 bilhões para ampliar a assistência oncológica, fortalecer a atenção de média e alta complexidade e interiorizar serviços que historicamente se concentraram na capital.

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A novidade representa avanço direto para comunidades mais vulneráveis, incluindo favelas e periferias, onde pacientes enfrentam longas esperas e deslocamentos para tratamentos complexos. Com 90 leitos — 60 destinados à reabilitação clínica e 30 a condições crônicas complexas — a nova unidade busca reduzir gargalos da regulação e aproximar o cuidado especializado de quem mais precisa.

“Nosso compromisso é levar tratamento de qualidade para mais perto das pessoas, e isso significa garantir que moradores das periferias, das favelas e das regiões mais distantes não precisem se deslocar até Salvador para receber atendimento complexo”, afirmou o governador Jerônimo Rodrigues. O investimento em obras e equipamentos para o hospital soma R$ 30,4 milhões, além da entrega de uma ambulância.

Foto: Matheus Landim / GOVBA

A unidade será administrada pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), com contrato mensal de R$ 3,4 milhões e reforço federal de R$ 29,4 milhões por ano, assegurando sustentabilidade ao serviço. Para o diretor-geral da FESF, Bruno Guimarães, a nova estrutura deve desafogar a rede: “O hospital será 100% regulado e ampliará o acesso de usuários de todas as regiões, inclusive dos territórios periféricos”.

Pacote reforça oncologia em toda a Bahia

Durante a agenda, o Ministério da Saúde também anunciou um incremento de R$ 352,2 milhões no Teto de Média e Alta Complexidade da Bahia. O reforço vai contemplar:

  • 26 Policlínicas Regionais de Saúde, referência para 416 municípios;
  • Hospital Ortopédico da Bahia (Salvador);
  • Hospital de Cuidados Paliativos Mont Serrat (Salvador);
  • Hospital Estadual Costa dos Coqueiros (Lauro de Freitas);
  • Unacon de Caetité.

A Unacon de Caetité deve passar por estadualização e ganhar reforço no serviço oncológico, além da implantação de uma UPA Tipo III, orçada em R$ 8,1 milhões.

Hoje, o estado possui um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia e 22 Unacons, sendo 18 habilitadas pelo Ministério da Saúde. Duas são exclusivas para oncologia pediátrica — um serviço crucial para famílias de periferias que enfrentam dificuldade de acesso a tratamentos para crianças e adolescentes.

Também foi anunciado um aporte de R$ 30 milhões às Obras Sociais Irmã Dulce, destinados ao Hospital Santo Antônio, fortalecendo especialidades de alta demanda como oncologia e pediatria.

Outra ação estratégica anunciada foi a expansão da produção da Bahiafarma, indústria farmacêutica pública instalada em Simões Filho. Com investimento de R$ 24,5 milhões em reforma e ampliação, a planta passará a produzir quatro medicamentos biológicos de uso complexo no SUS:

  • bevacizumabe
  • nivolumabe
  • pertuzumabe
  • eculizumabe

Esses medicamentos representam um potencial de compras de quase R$ 2 bilhões anuais pelo Ministério da Saúde. Apenas o eculizumabe, usado no tratamento de doença rara, alcança quase R$ 1 bilhão por ano.

Para o ministro Alexandre Padilha, o conjunto de ações marca uma mudança de escala na oncologia baiana: “Estamos ampliando o acesso a diagnóstico, cirurgia, radioterapia e medicamentos modernos em todas as regiões, da capital ao interior. Isso impacta diretamente as favelas e periferias, onde a população mais sofre com a desigualdade no acesso à saúde”.

A secretária Roberta Santana reforçou que as ações representam um redesenho da rede estadual: “Com mais leitos, expansão do tratamento radioterápico e fortalecimento da produção pública de fármacos, conseguimos acelerar a regulação e entregar respostas mais rápidas aos usuários do SUS”.