A Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, em Itaparica, foi palco, nesta sexta-feira (28), de um momento de celebração, afeto e afirmação da identidade negra. A 3ª edição da campanha “Cadê Minha Boneca Preta? – Minha Boneca, Minha História” reuniu crianças em vulnerabilidade social das periferias da região para receberem bonecas pretas — símbolo de representatividade, autoestima e valorização da cultura afro-baiana.
A ação é realizada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio da Fundação Pedro Calmon (FPC), e tem se consolidado como política pública após ser incorporada ao Sistema de Bibliotecas Públicas da Bahia. Criada em 2023 pela equipe da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, a campanha cresceu rapidamente: foram 372 bonecas arrecadadas na primeira edição, 700 na segunda, e em 2024 o projeto se tornou referência na promoção da representatividade nas comunidades.
Para Soraia Alves, idealizadora da campanha, ver o projeto alcançar crianças das favelas e periferias do estado é motivo de alegria profunda:
“É como assistir um sonho ganhar corpo, voz e território. Cada unidade da Fundação amplia a mensagem de representatividade, afeto e identidade. Saber que algo que nasceu de uma história íntima hoje se tornou uma ação coletiva de transformação é uma honra imensa”, afirma.
Cultura, resistência e protagonismo das crianças
A programação começou às 9h45, com a presença de personagens artísticos como a princesa Tiana e Maria Felipa — figuras que representam força, ancestralidade e heroísmo para as crianças negras das periferias. O momento também contou com o manifesto das crianças da comunidade de Itaparica, reforçando o papel ativo dos pequenos na construção de suas próprias narrativas.
Estudantes das escolas municipais da região ocuparam o espaço com intervenções artísticas que destacaram a história, a cultura e a resistência do povo itaparicano, além de apresentação do Coral da Escola Municipal Maria Felipa. A manhã se encerrou com a cantora e psicóloga Salomé Kempf, que trouxe música e sensibilidade para o encontro.
No período da tarde, a programação seguiu com desfiles protagonizados por crianças da rede pública. Os alunos do Colégio Municipal Telma Régis de Andrade, de Vera Cruz, apresentaram um desfile de moda sustentável, com peças criadas a partir de materiais recicláveis — mostrando criatividade e consciência ambiental.
Em seguida, o desfile infantil “Identidade e Representatividade da Negrif” trouxe roupas inspiradas na estética afrobaiana, reforçando beleza, diversidade e autenticidade nas infâncias negras. Para encerrar o dia, o samba de roda do Matarandiba Mirim “Os Filhos de Maria”, de Vera Cruz, encheu o espaço de ritmo, tradição e ancestralidade.
Representatividade que transforma
A campanha “Cadê Minha Boneca Preta?” reforça o papel das bibliotecas públicas como espaços de transformação social nas periferias e favelas. Ao entregar bonecas pretas para meninas e meninos, o projeto oferece não apenas brinquedos, mas a possibilidade de se reconhecerem em suas histórias, fortalecendo autoestima, identidade e pertencimento.
A iniciativa segue inspirando comunidades, mobilizando doações e ampliando o debate sobre a importância da representatividade negra na infância, especialmente para crianças de territórios periféricos.














