O Brasil recebeu, nesta segunda-feira (17), um lote de 2,1 milhões de unidades de insulina glargina, medicamento essencial para o tratamento do diabetes tipo 1 e 2. A entrega marca um avanço histórico na política de redução da dependência externa e fortalece a produção nacional de medicamentos distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — um impacto direto para milhões de pessoas das favelas e periferias, onde o acesso ao tratamento costuma ser mais desigual.
Até dezembro, o Ministério da Saúde deve receber mais 4,7 milhões de unidades, ampliando a oferta para quem depende exclusivamente da rede pública.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a estratégia utiliza o poder de compra do SUS para impulsionar o desenvolvimento industrial brasileiro.
“É uma grande parceria que traz garantia e segurança para os pacientes com diabetes. Usamos o poder de compra do SUS para garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”, afirmou.
O lote foi adquirido por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), mecanismo que garante transferência tecnológica para laboratórios públicos. A produção nacional será conduzida por Bio-Manguinhos/Fiocruz, em colaboração com a empresa brasileira Biomm. A tecnologia, hoje pertencente à farmacêutica chinesa Gan&Lee, já está em processo de transferência.
Para moradores de favelas e periferias — que enfrentam maiores barreiras para diagnóstico, acompanhamento e acesso a medicamentos — a nacionalização da produção significa mais estabilidade no fornecimento e maior segurança de estoque nas unidades básicas de saúde.
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destacou o impacto social da iniciativa:
“Essa primeira entrega tem um simbolismo muito grande. É ciência e tecnologia fortalecendo o SUS, reduzindo a dependência externa e ampliando o acesso ao tratamento para milhões de brasileiros.”
Investimentos bilionários e produção 100% brasileira
O Governo Federal investiu R$ 131,8 milhões nas aquisições previstas para 2025 e destinou mais R$ 510 milhões, via Novo PAC, para viabilizar a produção nacional do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) — etapa inédita na América Latina. A fabricação ocorrerá na unidade da Fiocruz no Ceará.
Quando o processo estiver completo, o Brasil dominará todas as etapas da produção da insulina glargina, garantindo autonomia e reduzindo o risco de desabastecimento que afeta principalmente pacientes das periferias.
A previsão é que o país alcance a produção anual de 70 milhões de unidades do medicamento.
Outras insulinas também serão produzidas no Brasil
Além da insulina glargina, o governo firmou parceria para produzir insulinas NPH e Regular, usadas amplamente na rede pública. O acordo envolve as instituições Wockhardt (Índia), Funed e Biomm. A transferência tecnológica já começou, com 710 mil unidades entregues.
A expectativa é chegar a 8 milhões de unidades produzidas nacionalmente até 2026, com investimento de R$ 142 milhões.
Impacto direto na vida de moradores das favelas e periferias
O tratamento para diabetes disponibilizado pelo SUS inclui diagnóstico, acompanhamento contínuo e distribuição gratuita de insulinas e medicamentos orais. Nas favelas e periferias, onde a sobrecarga das unidades de saúde e a distância dos centros especializados dificultam o tratamento, a garantia de abastecimento é fundamental para evitar complicações e internações.
A produção nacional das insulinas amplia a segurança para pacientes que dependem exclusivamente da atenção básica — porta de entrada do SUS — e fortalece o cuidado integral nas comunidades mais vulneráveis.














