Os preços dos alimentos voltaram a cair em setembro, marcando o quarto mês consecutivo de retração no grupo “Alimentação e bebidas”, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ajudou a conter parte da inflação, embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha acelerado no mês por causa do aumento da energia elétrica.
De acordo com o IBGE, a alimentação no domicílio teve queda de 0,41% em setembro, após o recuo de 0,83% em agosto. No acumulado dos últimos quatro meses, o grupo registra uma redução de 1,17%. A desaceleração é atribuída principalmente à maior oferta de produtos agrícolas e ao comportamento sazonal de algumas lavouras.
Entre os alimentos com maiores quedas estão o tomate (−11,52%), a cebola (−10,16%), o alho (−8,70%), a batata-inglesa (−8,55%) e o arroz (−2,14%). Já as frutas (2,40%) e o óleo de soja (3,57%) apresentaram alta no mês.
A alimentação fora do domicílio também mostrou alívio: passou de 0,50% em agosto para 0,11% em setembro. Dentro desse grupo, o item “refeição” caiu 0,16%, enquanto os “lanches” ainda registraram alta de 0,53%.
Segundo o IBGE, o recuo dos alimentos tem sido um dos principais fatores de moderação da inflação nos últimos meses, compensando parcialmente aumentos em outros setores, como energia e transportes.
“O cenário é resultado de uma safra favorável e da melhora no abastecimento interno de diversos produtos. A oferta maior tende a reduzir os preços ao consumidor”, explica o analista André Almeida, do IBGE.
No entanto, especialistas alertam que o movimento pode não se manter por muito tempo. Questões climáticas, variações nos custos de insumos e incertezas no mercado internacional de commodities podem voltar a pressionar os preços até o fim do ano.
Mesmo com a sequência de quedas, o preço dos alimentos ainda segue elevado em relação ao ano passado. No acumulado de 12 meses, o grupo “Alimentação e bebidas” registra alta de aproximadamente 2,5%, segundo o IBGE.
A tendência global também mostra algum alívio: o índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) caiu entre agosto e setembro, refletindo quedas em cereais, óleos vegetais e laticínios.
Apesar disso, o Banco Mundial alerta que os custos de produção e transporte continuam altos em vários países, o que pode limitar a continuidade da queda no médio prazo.
No mesmo levantamento, o IPCA de setembro ficou em 0,48%, acima dos 0,23% registrados em agosto. A alta foi puxada principalmente pelo reajuste na conta de luz, enquanto o alívio nos alimentos impediu um aumento maior do índice. No acumulado de 2025, a inflação oficial do país soma 3,54%, ainda dentro do intervalo da meta do Banco Central.














