Foto: Katarine Almeida
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O Museu Chácara do Céu, localizado no bairro de Santa Teresa, abre suas portas no dia 18 de outubro para a exposição “O Rio de Ciro: A Cidade em Xilogravuras”, que celebra os 460 anos da cidade do Rio de Janeiro sob o olhar do artista paraibano Ciro Fernandes, um dos maiores nomes da xilogravura brasileira. A mostra segue em cartaz até 30 de janeiro, com entrada gratuita.

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Com 76 obras autorais, a exposição apresenta o Rio através da força da arte popular nordestina, reunindo xilogravuras, pinturas, calcogravuras, litogravuras e desenhos em nanquim. A curadoria é assinada por Mariana Lannes e Alessandro Zoe, que estruturaram a mostra em diferentes núcleos temáticos que conectam a trajetória do artista à diversidade cultural e ao cotidiano carioca.

A exposição se inicia com o núcleo “O Rio de Ciro: um Caso de Amor”, que retrata a chegada do artista à cidade e seu encantamento pelas paisagens e pela vida urbana do Rio. Em seguida, o público é conduzido a “Lapa e Seus Mistérios”, que revela a atmosfera boêmia do bairro e homenageia figuras icônicas como Madame Satã, símbolo da resistência cultural carioca.

Outros núcleos reforçam o elo de Ciro com suas origens nordestinas, como “A Tradição Cordelista Chega à Cidade Maravilhosa”, que retrata a influência dos cordéis urbanos, e “A Natureza Exuberante de Ciro”, uma sala imersiva que utiliza o vidro e a paisagem real da cidade para dialogar com as obras em formato de lambe-lambes e adesivos.

Entre as peças expostas estão obras emblemáticas como “Massacre da Candelária” (1990), “São Jorge Ogum”, “Lapa” (1979) e “Madame Satã” (1979), que misturam crítica social, religiosidade e a estética vibrante da xilogravura nordestina.

Arte, inclusão e democratização cultural

Além de celebrar a fusão entre o Nordeste e o Rio, a mostra reforça o compromisso com o acesso democrático à cultura. Estão programadas oficinas gratuitas para crianças de escolas públicas de Santa Teresa, que trabalharão com gravuras feitas de materiais reciclados, inspiradas nos pássaros e na natureza carioca.

A exposição também foi pensada para ser acessível e inclusiva, com recursos de audiodescrição, textos em braille, legendas estendidas e obras táteis, permitindo que pessoas com deficiência visual possam vivenciar as texturas e formas das gravuras. Em dias específicos, haverá visitas guiadas com monitores especializados.

Um patrimônio vivo da arte popular brasileira

Aos 83 anos, Ciro Fernandes é reconhecido como um patrimônio vivo da xilogravura brasileira. Natural da Paraíba, o artista se encantou pela arte dos cordéis ainda na infância e, após viver em várias cidades do país, encontrou no Rio seu lar definitivo. Na década de 1970, destacou-se na Feira de São Cristóvão, espaço de preservação da cultura nordestina, e passou a ilustrar livros, capas de cordéis e discos, consolidando-se também como diretor de arte e ilustrador em jornais e agências.

Ciro foi o único ilustrador agraciado com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo trabalho no livro Cordelinho. Em suas obras, combina a estética popular com a força simbólica das ruas, da fé e da natureza, transformando a xilogravura em uma ponte entre o sertão e a cidade.