Estudantes da Escola Municipal Ginásio Emilinha Borba, em Nova Sepetiba, Zona Oeste do Rio, vão participar ao longo de outubro e novembro de um ciclo de oficinas que une literatura, performance e crítica social. O projeto “Poéticas na Escola – Slam”, desenvolvido pela Alkebulan Arte e Cultura, pretende despertar nos adolescentes de 12 a 14 anos o interesse pela escrita criativa e pela poesia falada, formato que tem se popularizado nas periferias brasileiras.
As oficinas acontecem sempre às quartas-feiras, das 14h às 16h, e trabalham a oralidade como ferramenta de expressão, estimulando os estudantes a refletirem sobre temas sociais e a se conectarem com a literatura de forma prática e envolvente. Ao final da jornada, no dia 19 de novembro, os alunos vão se enfrentar em uma batalha de slam aberta à comunidade escolar. A programação também prevê uma roda de conversa com professores e artistas convidados.
Segundo o coordenador do projeto, Fellipe Calarco, a escolha pelo slam se deve à sua capacidade de combinar literatura e performance de maneira acessível. “A escolha do Slam como ferramenta se deve à sua capacidade de combinar literatura e performance de forma acessível, oferecendo uma entrada atraente para jovens que, muitas vezes, têm pouco contato com a literatura formal. O projeto surge da necessidade de ampliar o acesso à escrita criativa e à literatura em Nova Sepetiba, uma região com escassez de iniciativas culturais”, explica.
Logo na primeira oficina, no dia 8 de outubro, o foco será a sensibilização dos estudantes para questões de acessibilidade cultural. A atividade vai introduzir noções de convivência com a comunidade surda e apresentar a Poesia Visual Vernacular, uma forma de poesia em língua de sinais que amplia o repertório da linguagem para além das palavras.
No dia 22 de outubro, o projeto recebe o professor e pesquisador Bruno Vitelli, da UFRJ, que é surdo e referência na área. Ele vai apresentar recursos poéticos da Língua Brasileira de Sinais (Libras), mostrando como a poesia também pode ser construída a partir da experiência visual.
A grande final das oficinas será no dia 19 de novembro, das 9h às 12h, quando os alunos apresentarão seus próprios poemas em uma batalha de slam para colegas, professores e familiares. O evento terá ainda a participação do cantor Maui, natural de Duque de Caxias. Misturando R&B com gêneros eletrônicos como Grime, Afrobeats e Drum’n’Bass, Maui vem se destacando na cena musical carioca desde 2017 e já ultrapassou a marca de 1 milhão de reproduções em plataformas digitais.
O Slam como ferramenta cultural
O Slam nasceu nos Estados Unidos e, nas últimas décadas, ganhou força no Brasil, sobretudo em regiões periféricas. Trata-se de uma competição de poesia falada em que os participantes apresentam textos autorais em poucos minutos, sem adereços ou trilha sonora, diante de um júri escolhido na plateia. Mais do que uma disputa, o formato se tornou espaço de resistência, empoderamento e afirmação de identidades.
Nas edições anteriores, o “Poéticas na Escola – Slam” já alcançou mais de 2,7 mil estudantes em seis cidades da Região Metropolitana do Rio, levando oficinas para mais de dez escolas públicas.














