A aprovação da chamada PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados nesta semana acendeu um alerta em todo o país. A proposta, que restringe investigações contra políticos e autoridades, é vista por movimentos sociais como um retrocesso que fortalece a impunidade e fragiliza a democracia. Neste domingo (21), manifestações estão sendo convocadas em diferentes capitais do Norte e Nordeste, com destaque para Salvador, onde lideranças populares e culturais das favelas e periferias preparam um forte ato de resistência.
Cultura e política em confronto
A mobilização ganhou força com o posicionamento de artistas de alcance nacional. Anitta chamou a proposta de “um tapa na cara do povo brasileiro”, enquanto Caetano Veloso afirmou que a PEC “atenta contra a democracia e contra a luta histórica das ruas”. O contraste entre as falas dos dois artistas sintetiza a indignação de diferentes gerações, conectando a juventude e a tradição cultural na defesa da democracia.
Essas vozes ecoam especialmente nas periferias da Bahia, onde jovens artistas de slam, músicos de bairros populares e coletivos culturais têm reforçado que a luta contra a PEC é também a luta por dignidade, acesso a direitos e valorização da identidade comunitária.

Vozes das favelas
Lideranças comunitárias da Bahia destacam que a proposta representa um risco concreto para as populações mais vulneráveis. Para elas, blindar políticos é permitir que recursos públicos continuem desviados, enquanto comunidades seguem sem saneamento, saúde e oportunidades.
“Quando a política se blinda, quem paga é a favela”, resume uma liderança local que prepara caravanas de bairros periféricos de Salvador para o ato de domingo.
Oposição no Senado
No Senado, a PEC ainda precisa tramitar e já encontra resistências. O senador baiano Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi categórico ao afirmar que o texto “não passa no Senado, como Casa revisora”. Para ele, a aprovação na Câmara foi uma “falta de respeito ao eleitor”.
Otto explicou que a PEC terá de seguir todos os ritos regimentais: análise na CCJ, possível audiência pública, escolha de relator e exame criterioso antes de chegar ao plenário. Essa posição fortalece a expectativa de que a mobilização popular, especialmente nos atos de domingo no Norte e Nordeste, será decisiva para barrar a medida.














