Foto: Genilson Costa
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Na manhã deste domingo (21), Salvador se tornou novamente palco de resistência ao reunir centenas de pessoas na Barra, em ato contra a PEC da Blindagem. A mobilização, marcada pela força da cultura baiana e pela presença de lideranças comunitárias, trouxe à cena um grito que partiu das periferias e favelas em defesa da democracia.

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A cantora Daniela Mercury, que puxou o trio elétrico no Morro do Cristo, transformou o ato em um momento de união entre música e política.

“Estamos aqui porque a democracia não pode ser negociada. A cultura é resistência, e é ao lado do povo das favelas e das periferias que precisamos lutar para impedir que esse retrocesso avance”, afirmou Daniela.

O ator Wagner Moura, que também marcou presença no protesto, reforçou a importância da mobilização popular diante da ameaça que a PEC representa.

“O que está em jogo não é só uma emenda, mas o futuro do nosso país. A favela e a periferia sabem o preço da desigualdade e não podem aceitar que políticos se blindem da justiça enquanto o povo é criminalizado todos os dias”, declarou Moura.

Além da presença de artistas, o governador Jerônimo Rodrigues participou da manifestação e defendeu o fortalecimento da democracia e da soberania nacional. A fala dele dialogou com a preocupação popular de que a PEC, ao proteger políticos de investigações, abra caminho para mais desigualdades e injustiças.

Lideranças comunitárias também tiveram espaço de fala, reforçando que as periferias são as primeiras a sentir os impactos de retrocessos políticos.

“As periferias e favelas são sempre as primeiras a sentir os efeitos das decisões políticas que blindam os poderosos e deixam o povo de fora. Estamos aqui para dizer que não aceitaremos esse retrocesso”, destacou uma liderança presente.

O ato em Salvador se somou às manifestações que também aconteceram em outras cidades do país, como Rio de Janeiro e São Paulo, com artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque. A união entre diferentes territórios reforçou o caráter nacional da resistência à proposta.

O senador baiano Otto Alencar lembrou recentemente que a PEC ainda seguirá para votação no Senado, o que aumenta a necessidade de pressão popular. Salvador, com sua tradição de luta, mostrou que não ficará calada.

Entre faixas, palavras de ordem e o som do trio, o recado foi claro: a favela não aceita ser silenciada e seguirá nas ruas para defender seus direitos.