Foto: Divulgação / Fenasdetran
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A abertura do 13º Congresso Brasileiro de Trânsito e Vida (CBTV) e do 9º Internacional de Trânsito e Vida (CITV), nesta quinta-feira (23), colocou o tema das mortes no trânsito no centro do debate nacional. Em uma mesa composta majoritariamente por mulheres que atuam na linha de frente da saúde pública e da prevenção, especialistas reforçaram que a violência no trânsito segue como uma grave questão de saúde no país — e que o impacto é maior entre os moradores de favelas e periferias, onde os motociclistas se tornaram protagonistas no aumento dos óbitos.

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O painel “Desafios da morbimortalidade no trânsito no Brasil: a perspectiva do setor de saúde” reuniu a diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENTE/SVSA), Letícia Cardoso, a vice-presidente da Associação Bahiana das Clínicas de Trânsito (ABCTRAN), Vera Lúcia Silva de Souza, e a diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), Márcia São Pedro Leal.

Durante sua apresentação, Letícia Cardoso destacou que, após uma estabilização entre 2020 e 2021, o Brasil voltou a registrar aumento no número de mortes por acidentes de trânsito, chegando a 35 mil óbitos por ano. Segundo ela, os motociclistas são o modal mais atingido, em especial no Norte e Nordeste do país — regiões onde o uso de motos é maior como alternativa de trabalho e deslocamento de curta distância nas periferias.

“A prevenção é o melhor remédio. Políticas intersetoriais envolvendo mobilidade urbana, educação e fiscalização podem reduzir internações, sequelas e enormes custos sociais e econômicos”, alertou Cardoso.

Trânsito como questão de saúde pública

O trânsito, segundo apontou Márcia São Pedro, exige estratégias integradas para além da assistência hospitalar — com foco na prevenção e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Temos altos números de óbitos e internações. É urgente criar medidas efetivas para transformar essa realidade e proteger a população”, destacou.

Conscientização e responsabilidade social

Representando as clínicas responsáveis por avaliar e formar condutores, Vera Lúcia Silva reforçou que a responsabilidade individual é determinante para salvar vidas:

“Um ato inconsequente pode tirar a vida de alguém que você nunca viu. É preciso consciência e respeito à própria vida e à do outro.”

Favelas pagam a maior conta

Especialistas ressaltam que a concentração das vítimas entre motociclistas escancara desigualdades: a moto é ferramenta de renda e mobilidade para muitos trabalhadores periféricos, especialmente entregadores e mototaxistas. Isso faz com que as favelas convivam com mais acidentes, sequelas permanentes, perda de renda familiar e dependência do SUS.