Milhares de pessoas ocuparam ruas em 33 cidades brasileiras no último domingo (21) em protesto contra a chamada PEC da Blindagem e o projeto de anistia a envolvidos em atos golpistas. Os atos, organizados por movimentos sociais, sindicatos, partidos e coletivos estudantis, ocorreram nas 27 capitais e em importantes centros urbanos, tornando-se a maior mobilização nacional recente contra medidas em tramitação no Congresso.
A mobilização ganhou repercussão internacional e reforçou a pressão sobre parlamentares, especialmente aqueles que votaram a favor da PEC da Blindagem. O texto aprovado em dois turnos na Câmara reduz poderes do Supremo Tribunal Federal e limita a atuação de órgãos de controle, o que críticos consideram um ataque ao equilíbrio entre os poderes e um incentivo à impunidade.
Diante da reação popular, alguns deputados que apoiaram a proposta recuaram. Entre os parlamentes está a deputada Silvye Alves (União Brasil-GO). Em vídeo publicado no Instagram, Silvye considerou o voto o voto a favor um “erro gravíssimo”. “Fui contra tudo que eu defendo, tudo que eu acredito. Eu já sabia que a direita, a extrema-direita e o centro votariam a favor dessa PEC”, afirmou Silvye.
As manifestações, portanto, já provocaram efeitos concretos no Congresso, com partidos revendo estratégias e discursos para tentar mitigar o desgaste político.
Além da cobrança direta aos parlamentares, as ruas também ecoaram críticas ao PL da Anistia, que perdoa envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Cartazes e palavras de ordem denunciavam a tentativa de blindagem de autoridades e acusavam deputados de estarem legislando em causa própria.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repercutiu os atos e afirmou que os protestos foram “espetáculo da democracia”, defendendo que a sociedade não aceitará impunidade nem anistia. Lideranças locais também se manifestaram: câmaras municipais em diferentes capitais registraram pronunciamentos de vereadores destacando a força das ruas e a necessidade de barrar projetos considerados retrocessos democráticos.
Especialistas avaliam que a pressão popular pode influenciar diretamente as próximas votações. Além de abrir espaço para mudanças no texto da PEC, os protestos sinalizam um alerta ao Congresso: a população está atenta e disposta a reagir contra medidas que comprometam a democracia. No médio prazo, deputados que insistirem em apoiar a blindagem correm o risco de desgaste eleitoral, especialmente em distritos onde a mobilização foi mais intensa.
Mais do que um ato isolado, o último domingo mostrou a capacidade de articulação de movimentos sociais e partidos progressistas, que devem seguir mobilizados em defesa do Judiciário, da separação de poderes e contra a impunidade. O recado das ruas foi claro: não haverá silêncio diante de tentativas de enfraquecer a democracia.














