Foto: Walterson Rosa/MS
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Em meio à 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o Brasil levou para o centro das discussões globais a urgência de integrar saúde e clima. A vice-ministra da Saúde, Mariângela Simão, apresentou nesta quarta-feira (24) o Plano de Ação em Saúde de Belém, proposta brasileira que será destaque na COP30, em novembro de 2025, na capital paraense.

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O documento aponta caminhos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde, com foco em populações mais vulneráveis — especialmente moradores da Amazônia, comunidades indígenas, periferias urbanas e regiões que já sofrem com a precariedade do saneamento e da infraestrutura pública.

“Estamos construindo coletivamente uma agenda de trabalho para o futuro, que une saúde e clima, fortalecendo a adaptação e a resiliência do setor da saúde frente às mudanças climáticas. Nossa ambição é que, até a COP30, tenhamos uma agenda sólida, fruto de um processo inclusivo, capaz de responder às necessidades das pessoas”, afirmou Mariângela Simão durante o evento Advancing Climate & Health Action on the Road, realizado em parceria com a Fundação Rockefeller, OMS e OPAS.

Saúde, clima e desigualdades

O Plano de Ação em Saúde de Belém estabelece linhas de atuação em vigilância e monitoramento, políticas baseadas em evidências e inovação. A meta é garantir que os países construam sistemas de saúde resilientes frente a eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e secas — problemas que afetam diretamente moradores de periferias e favelas, que vivem sem infraestrutura adequada e são os primeiros a sentir os efeitos da crise climática.

Em 2024, o Governo Federal já havia anunciado um investimento de R$ 53 milhões para fortalecer a rede de saúde em Belém, ampliando a capacidade de atendimento e deixando um legado para a população após a COP30. Entre as ações previstas estão:

  • Construção de oito Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • Contratação de 554 Agentes Comunitários de Saúde, ampliando o atendimento nas casas e comunidades;
  • Redução da superlotação em UPAs 24h com novos equipamentos e leitos;
  • Monitoramento da qualidade da água, uma medida essencial para periferias e comunidades ribeirinhas que ainda enfrentam dificuldades de acesso à água potável.

Desde 2023, o Pará recebeu R$ 4,7 bilhões em investimentos federais, sendo R$ 1,6 bilhão destinados apenas à capital. Os recursos foram aplicados em atenção primária, média e alta complexidade, assistência farmacêutica e vigilância em saúde.

A COP30 na Amazônia: um marco

A escolha de Belém para sediar a COP30 é histórica: será a primeira vez que a conferência acontece na Amazônia, território estratégico para a resiliência climática e também palco de grandes desigualdades sociais.

Além do Plano de Ação em Saúde, o Brasil prepara o AdaptaSUS (plano nacional de adaptação do setor saúde) e o Plano +Saúde para a Amazônia, que será apresentado na conferência com foco em equidade, tecnologias sustentáveis e respeito às especificidades socioculturais da região.

O Dia da Saúde da COP30, em 13 de novembro de 2025, será o momento em que diversos países deverão anunciar contribuições ao plano, consolidando o protagonismo do Brasil em integrar a saúde às metas climáticas globais.

Mais do que compromissos diplomáticos, o que se projeta é um legado concreto para as periferias amazônicas e brasileiras, que convivem com a desigualdade, a falta de saneamento e os efeitos da crise climática em seu dia a dia. A expectativa é que o Plano de Ação em Saúde de Belém se torne referência internacional, mas, acima de tudo, que garanta mudanças reais para quem mais precisa: as populações que vivem nas margens, muitas vezes esquecidas pelas políticas públicas.