A literatura produzida a partir das vivências, memórias e tecnologias ancestrais das comunidades-terreiro ganha novo marco com o lançamento de “Literatura-terreiro: pilhagem epistêmica, letramentos negros e iniciação à literatura africana na literatura brasileira”. O livro, terceiro título autoral do intelectual, poeta e professor da UFBA Henrique Freitas, será lançado no dia 10 de dezembro, no CEAO – Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, localizado no Largo Dois de Julho, no Centro de Salvador. O evento é gratuito e aberto ao público.
Fruto de mais de duas décadas de pesquisa “da porteira para dentro e da porteira para fora das comunidades-terreiro”, a obra evidencia como as epistemologias africanas seguem sendo fundamentais para compreender a formação literária brasileira — mesmo diante do apagamento histórico desses saberes, que também atravessa as favelas e periferias. Ao propor conceitos como “literatura-terreiro”, “letramentos negros” e “pilhagem epistêmica”, Freitas apresenta caminhos críticos que reafirmam a potência dos conhecimentos produzidos pelos povos de matrizes africanas.
O livro nasce também do pós-doutorado em Estudos Literários realizado no Programa Pós-Crítica da UNEB (2024–2025) e das investigações do Grupo Yorubantu, coordenado pelo autor na UFBA, que articula epistemologias yorùbá e bantu na literatura brasileira e no cotidiano das comunidades negras urbanas.
Para Allan Alves Brito, pró-reitor de Ações Afirmativas da UFRGS, a obra “nos convida a (re)conhecer as distintas formas das expressões literárias de herança africana”, evidenciando os letramentos negros como linguagens multimodais e multissemióticas que estruturam práticas culturais dos territórios afrodiaspóricos. Já a professora Silvana Carvalho, da UFRB, destaca a ousadia metodológica do autor, afirmando que ele “trama novos horizontes para a crítica, a teoria e o ensino de literatura no Brasil”.

O lançamento contará com bate-papo entre Ana Rita Santiago, Silvana Carvalho, Allan Alves Brito e Henrique Freitas, além de apresentação musical de samba e sessão de autógrafos. A celebração coletiva reforça a importância de valorizar as produções intelectuais negras que nascem das ruas, das periferias e dos terreiros — espaços historicamente responsáveis por manter viva a memória e a resistência cultural do povo preto.














