Durante o Novembro Negro, o público paulistano será convidado a mergulhar em uma experiência artística que atravessa o tempo, a tecnologia e a ancestralidade. A exposição “ID Corpos Negros”, assinada pelo artista multimídia Achiles Luciano, chega ao Complexo Cultural Oswald de Andrade, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, entre os dias 15 de novembro e 14 de dezembro, com entrada gratuita.
Com dez obras inéditas que unem realidade aumentada, pintura, ilustração digital e técnicas mistas, Achiles propõe um diálogo entre o mundo físico e o digital, transformando o espaço expositivo em uma jornada afrofuturista. A mostra, contemplada pela Lei Paulo Gustavo através do edital SP Cine 06/2023, apresenta o encontro entre arte, ancestralidade e tecnologia, com ativações que podem ser acessadas por smartphones e tablets, permitindo ao público interagir com as obras em tempo real.
Afrofuturismo como travessia
Nascido e criado em São Paulo, Achiles Luciano é um dos nomes de destaque da arte digital negra no Brasil. Com mais de três décadas de trajetória, o artista tem se dedicado a criar pontes entre memória, território e identidade, combinando pintura, projeção, música e performance.
Na mostra “ID Corpos Negros”, ele apresenta um novo capítulo de sua pesquisa sobre o corpo negro como tecnologia viva, explorando o potencial do afrofuturismo para recontar histórias e propor novos futuros.
“Essa exposição é o fragmento de um sonho que começa a se realizar. Proponho uma travessia visual que oscila entre o real e o digital, o lúdico e o surreal. É uma experimentação artística que toca questões sobre identidade, ancestralidade e futuro”, explica o artista.


Vernissage com música e performance
A abertura oficial acontece no dia 15 de novembro, das 11h às 21h, com uma programação especial que integra música e performance. A seleção musical fica por conta de Paola Ribeiro (15h), seguida de uma JAM Session “Bahia Fantástica” (17h) com os artistas ZEBB, EdBrass e Rômulo Alexis. O encerramento da noite contará com o AFF – dispositivo afrofuturista, formado por Achiles Luciano e FELINTO, que também assina a direção musical da exposição.
Arte negra e tecnologias do futuro
Reconhecido por suas performances de live painting e videomapping, Achiles Luciano já ocupou instituições como o Museu Afro Brasil Emanuel Araújo, Bienal de São Paulo, Sesc, Casa das Caldeiras e o Festival Feira Preta. Em sua trajetória, tem transformado a tecnologia em uma extensão das linguagens negras urbanas, propondo uma nova forma de visibilidade e imaginação para os corpos negros.
Para as favelas e periferias, a exposição representa não apenas uma celebração estética, mas também um acesso simbólico e real a experiências artísticas inovadoras, que afirmam o lugar da população negra nas narrativas do futuro.
“ID Corpos Negros é um gesto de visibilidade, força e imaginação. Uma tentativa de traduzir, em imagens, a complexidade de existir, resistir e sonhar em um mundo em constante transformação”, afirma o artista.
A exposição reafirma o protagonismo da arte negra contemporânea, mostrando que o futuro — no Brasil e nas periferias — é também uma construção estética e política.



![Achiles Luciano_Créditos Acervo Pessoal[2]](https://www.anf.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Achiles-Luciano_Creditos-Acervo-Pessoal2-696x523.jpg)










