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Autor de “Cidade Partida” e “1968: O Ano que Não Terminou” morreu nesta terça-feira, no Rio, em decorrência de uma pneumonia

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O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Segundo informações confirmadas pela Academia Brasileira de Letras (ABL), ele não resistiu a uma pneumonia.

Considerado um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas marcada pela defesa dos direitos humanos e pela cobertura de questões políticas e sociais do país. Passou por veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ e O Globo.

Entre suas obras mais conhecidas está Cidade Partida, livro-reportagem produzido após a chacina de Vigário Geral, ocorrida em 1993. Durante cerca de dez meses, o jornalista frequentou a comunidade e ouviu moradores para investigar a violência e a desigualdade social no Rio. Publicada em 1994, a obra recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.

O jornalista e fundador da Agência de Notícias das Favelas (ANF), André Fernandes, lamentou a morte de Zuenir e destacou a contribuição do escritor para a comunicação produzida a partir das favelas.

“Zuenir foi um gigante do nosso jornalismo, mas, para além de tudo o que representou para o Brasil, fica o carinho por esse ser humano tão especial. Seu olhar para as favelas e para as desigualdades do nosso país deixa marcas profundas em todos nós que fazemos comunicação a partir desses territórios”, afirmou.

Zuenir também escreveu 1968: O Ano que Não Terminou, trabalho que reconstrói acontecimentos políticos e culturais daquele período, marcado pelo avanço da repressão durante a ditadura militar. O próprio jornalista chegou a ser preso após a decretação do Ato Institucional nº 5.

Na cobertura do assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes, no Acre, produziu uma série de reportagens que lhe rendeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog de Jornalismo. O trabalho posteriormente deu origem ao livro Chico Mendes — Crime e Castigo.

Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir Ventura também atuou como professor universitário. Em 2014, foi eleito para a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o escritor Ariano Suassuna, e tomou posse no ano seguinte.

O velório será realizado nesta quarta-feira (23), na sede da ABL, no Centro do Rio. O jornalista será sepultado no Mausoléu dos Imortais.